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10.3.10

O acesso à internet como direito e o PNBL

A percepção de que a comunicação é um direito humano vai ganhando, a cada momento histórico, mais alcance. Na verdade, o direito à informação e à livre expressão de ideias sempre foi alvo de confronto entre àqueles que não tinham os canais para fazê-lo e os que os possuíam. Em certos momentos essa disputa se deu de forma mais latente do que outras, em razão da situação política e do surgimento de novas tecnologias.

O surgimento da internet tornou esse conflito mais inflamado e está contribuindo muito para ampliar a noção de que é preciso democratizar os meios de comunicação. É o que se pode concluir do levantamento realizado pela BBC de Londres (íntegra em inglês), cujos dados mostram que 4 entre 5 pessoas entrevistadas em 26 países consideram o acesso à internet como um direito fundamental.

Entre as mais de 27 mil pessoas entrevistadas, 87% dos usuários na rede mundial de computadores apontaram que o acesso à internet deveria ser um direito fundamental. Entre os que não são usuários, 71% consideram que deveriam ter o direito de acessar a internet.

Banda Larga para Todos
Entre os brasileiros que respoderam à pesquisa, 91% apontaram que o acesso à internet é um direito fundamental. No Brasil, cerca de 70 milhões de pessoas têm acesso à internet, sendo que destes, apenas metade são de usuários ativo, o que representa algo em torno de 19%.

Por isso é fundamental que a implantação do Plano Nacional de Banda Larga seja acelerado e tido como uma política de Estado e não de governo. Capilarizar a internet por todo o Brasil, fazendo com que o acesso em alta velocidade chegue a todos os municípios brasileiros tem que ser uma prioridade política que só será viabilizada com a participação direta do Estado.

Daí a discussão em torno da recuperação da Telebrás e da ação direta do governo na oferta ao consumidor final, e não apenas na infraestrutura de rede para a operação do setor privado. Isso porque não há interesse desse segmento para investir nos rincões do país, onde o retorno econômico do investimento realizado é praticamente nulo.

Mesmo assim, os empresários desse setor resistem à participação do Estado e operam um forte lobby para tentar garantir seus interesses, postergando a aplicação do PNBL ou alterando seu caráter.

Infelizmente, parece que o governo vai cedendo à pressão empresarial e já anuncia que o PNBL deve ficar mesmo para a próxima gestão e que neste ano haverá apenas um “ensaio” de sua aplicação.

Lógico que a universalização do acesso deve cumprir metas e etapas, e está claro que em 2010 será aplicada uma parcela incial do plano. Mas, o que não podemos aceitar, é que haja uma redução do ritmo de aplicação do plano em razão das pressões políticas contrárias a ele. Estava previsto que até o final de 2010 cerca de 3 mil cidades seriam contempladas pelo PNBL. Essa meta foi reduzida para 300.

Não se pode deixar para amanhã, o que pode ser feito hoje. Construir as condições para universalizar o acesso à internet é um instrumento fundamental para aprofundar a democracia na sociedade.Por isso, é imperativo colocar os movimentos sociais na luta pela imediata implementação do Plano Nacional de Banda Larga.

7.3.10

Mídia quer tirar Serra da clandestinidade

Eu sei que você sabe; você sabe que eu sei que você sabe, mas eu fico calado fingindo que ninguém sabe de nada. A estratégia de não assumir a candidatura à Presidência da República adotada por José Serra está deixando os setores conservadores, cujo porta-voz é a grande mídia, de cabelo em pé.

Não é para menos, já que Dilma Rousseff cresce e se fortalece num ritmo que os tucanos não esperavam. O editorial Candidato clandestino, do Estadão deste domingo, é quase um ultimato ao PSDB e, particularmente a Jose Serra.

Tirar Serra do lusco-ofusco
“Serra deve estar convencido de que sua estratégia dará certo. Talvez dê, mas por enquanto não há quem entenda o que ele tem a ganhar se comportando como candidato clandestino”. Chama a atenção o editorial, para o avanço da candidata de Lula “o contraste entre a desenvoltura de longa data da operação Dilma e o tardio despertar da oposição para o imperativo de tirar Serra do lusco-ofusco em que escolheu permanecer serviram até agora para debilitar eleitoralmente o governador (…) A oposição precisa de um candidato que vá para a batalha pela porta da frente”.

O Estadão caracteriza a postura de Serra como errática e alfineta: “É sabido que Serra quer ser presidente desde criancinha. Mas a relutância em assumir a sua legítima aspiração, pela qual trabalha em surdina, já faz com que se diga que ele não tem medo do poder, tem medo do voto”.

Afundar com a tripulação ou pular do barco?
Não é à toa que as especulações em torno de uma possível desistência do governador paulista para concorrer à certa reeleição em São Paulo foi ganhando adeptos. Serra é um político que não se permite navegar em oceanos turbulentos e não quer entrar num barco que pode naufragar.

O traçado político que o tucano desenhou para chegar à Presidência foi muito bem pensado. Derrotado em 2002, resolveu se fortalecer no maior colégio eleitoral do país. Elegeu-se prefeito, e depois governador em 2006, num cálculo bem preciso, já que derrotar Lula numa reeleição era tarefa de altíssima improbabilidade, mesmo com toda a campanha midiática anti-Lula. Na conta de Serra, o retorno do PSDB à Presidência da República teria que esperar 2010, ano em que pela primeira vez Lula não seria candidato.

Rapidamente a direita e a mídia se uniram para corroer as principais lideranças políticas da base do governo Lula, para minar as possibilidades de ter um nome forte para assumir o legado de Lula na disputa de 2010.

O surpreendente avanço de Dilma
Quando começou a ficar claro a opção do presidente pela candidatura de Dilma Rousseff, ela tornou-se o alvo da vez. Mas não foram bem sucedidos. As previsões de que a ministra seria um poste, um peso morto que não decolaria na disputa, escoaram pelo ralo. Dilma se fortalece e avança nas pesquisas, e muito antes do previsto já está praticamente empatada com Serra.

O projeto da direita de colocar um ponto final no ciclo político aberto com a eleição de Lula está mais fragilizado a cada dia. E isso aumenta as incertezas em torno do caminho que Serra efetivamente seguirá. Acredito que a probabilidade de Serra desistir da disputa ao Planalto é praticamente nula. Mas, o batalhão conservador não brinca em serviço e através do editorial do Estadão manda o recado: “Essa hipótese [de concorrer à reeleição em São Paulo] é desonrosa para o governador. A esta altura, ou ele disputa o Planalto ou sai da vida pública”.

Enquanto isso FHC…
O sociólogo ex-presidente vai assumindo a linha de frente da oposição e demarcando politicamente com o governo Lula. Tem dado declarações, participado de eventos e publicado sucessivos artigos que tentam balizar as posições tucanas para a disputa. Neste mesmo Estadão de domingo, em artigo publicado ao lado do editorial comentado acima, pontua as ações de seu governo como sendo as responsáveis pelo atual estágio do Brasil. Desconsidera que já nos separam daquele período oito anos e muitas iniciativas que mudaram a cara do país.

E, como já está bastante acostumado a fazer, pede aos brasileiros que esqueçam o que ele disse e escreveu antes. Dessa vez, tenta tirar o foco do debate sobre as privatizações e sobre o papel do Estado. “Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas, ou vice-versa”, e conclui com a célebre frase: “Ninguém propõe um “Estado mínimo”, muito menos o PSDB”. Dá para acreditar?

4.3.10

Era só o que falta. A escravidão é culpa dos negros!

Primeiro achei que podia ter lido errado. Reli e não pude acreditar na capacidade dos conservadores em produzir e reproduzir, a cada novo dia, novas teses para manter e ampliar o preconceito. Pior, para impedir a ascensão social de um segmento tão penalizado pelas políticas de uma sociedade dirigida pelos ‘brancos de olhos azuis’, como diria o presidente.

Pois é, o DEM – cujo apelido certeiro de demo vai se justificando cada vez mais – defendeu nesta quarta-feira, durante a audiência pública do Supremo Tribunal Federal realizada para debater o sistema de cotas raciais na universidade, que a culpa da escravidão é dos negros.

Demóstenes Torres, senador do DEM por Goiás, diz que o sistema escravista só existiu porque “a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América”. Intercalou em seu raciocínio um comovido “lamentavelmente”, para completar afirmando que eles “não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram”.

Ora, vejam vocês a que nível de perfidez chega a mente humana. Uma vez, um amigo me disse que o homem é capaz de elaborar as mais complexas teses para justificar suas atitudes, não importa elas quais sejam. Olha aí!

O raciocínio de Demóstenes tentar validar a sua atitude preconceituosa, dizendo que a culpa da escravidão é dos negros, o homem branco nenhuma responsabilidade tem nisso e, portanto, reza a lógica cartesiana que não há motivos para se criarem políticas públicas de reparação social para tirar todo um povo da condição socioeconômica que a história lhes legou.

Se chegaram aqui como escravos, saídos de lá nesta condição ou não, isso não exime o Estado brasileiro da responsabilidade pela marginalização e pela violência cometida contra aqueles que chegavam aos milhares nos navios negreiros, seus filhos, netos, bisnetos e toda uma geração que continua sendo hostilizada porque não possuí a pela alva das elites.

O julgamento da inconstitucionalidade das cotas, movido a partir de ação do DEM, alega que as cotas para negros e afrodescendentes para ingresso no ensino superior fere o princípio da igualdade.

Que igualdade, cara-pálida? A social, que divide as pessoas entre as que moram nos edifícios de luxo e são na sua grande maioria brancas, e as que vivem nas favelas em condições sociais sofríveis e são na sua maioria negros e descendentes de negros? Ah! talvez ele esteja se referindo a igualdade na formação educacional, que as crianças e jovens recebem nas escolas para se prepararem antes de entrar na universidade. Certo. Ai há também muita igualdade de condições, já que os ricos estudam em escolas de elite com professores escolhidos à dedo e ensino de alta qualidade, contra a educação oferecida aos pobres, em escolas públicas abandonadas pelo Estado, sem infraestrutura básica, como cadeiras nas salas de aula.

É gente, há mesmo muita igualdade de condições para se chegar à universidade. Desculpe senador, só não vê quem quer.

2.3.10

O mundo, a arte, e Jabor "em crise"

Reproduzo o artigo do documentarista Vandré Fernandes sobre o armargurado comentarista global Arnaldo Jabor.

O mundo, a arte e Jabor “em crise”

Parafraseando o título do livro “O mundo, o homem e a arte em crise” do intelectual de esquerda Mário Pedrosa, trotskista e fundador do PT, acho oportuno levantar considerações sobre as últimas frases e comentários do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, que vem soltando o verbo contra a esquerda e o governo Lula, utilizando a mídia para defecar palavras retrógradas e se posar de Robin Hood dos ricos.

É sabido por todos que Jabor iniciou sua peregrinação no CPC da UNE, depois passou a fazer parte da escola Cinema Novo e realizou o bom filme-documental Opinião Pública. Sempre contestador, ele fez excelentes filmes como Pidorama, Toda nudez será castigada, Eu sei que vou te amar, entre outros. Aos poucos, Arnaldo Jabor foi migrando sua trajetória, inicialmente de esquerda – a qual nega, dizendo que eram apenas coisas um jovem romântico – e vai se convertendo à esquerda, passando a endeusar os setores conservadores do país.

Recentemente, Jabor vem aproveitando seu espaço na TV Globo, na Folha de São de Paulo, na rádio CBN e em outros meios de comunicação para dizer do “medo” de eleger Dilma para a Presidência da República. O que estaria por trás deste medo? E por que Lula fez um governo consequente e Dilma não fará?

Na verdade, o medo de Jabor é o mesmo medo de Regina Duarte nas eleições de 2002. Medo de ver um país com mais distribuição de renda, mais inclusão social, com mais autoestima de ser brasileiro. Jabor acha que com Dilma na presidência o monopólio da mídia será quebrado, e ele teria dificuldade arrotar suas agruras na mídia. Talvez esteja com medo de que utilizem os mesmos meios para desqualificá-lo por suas condutas esquizofrênicas, por ser porta-voz de uma elite que vê ruir seus sonhos do american way of life.

Jabor esteve presente no 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado em um luxuoso hotel de São Paulo pelo Instituto Millenium, que reuniu algumas dezenas de pessoas para discutir o tema pelo valor de R$ 500,00. Jabor discursou como se discursava na época da guerra fria, como se a ameaça comunista estivesse à beira de deflagar no país, ou seja, ele parou num tempo distante. Atacou os comunistas, a Dilma e convidou a todos para impedir que a pré-candidata petista chegue à presidência.

Talvez Jabor não perceba os avanços obtidos no país na era Lula, e faz o jogo de depositar as conquistas alcançadas no último período ao governo de FHC, o que é uma dissimulação para não creditar os avanços do governo de Lula e de sua base aliada que conta, inclusive, com comunistas no senado e na Câmara Federal.

O mundo mudou e avança para o futuro, o Brasil cresce e pode ser em breve a quinta economia do mundo. Cada dia mais pessoas no país deixam a linha da pobreza e ingressam na classe média. Jabor pode ter medo disso tudo. Mas o povo não. A última pesquisa eleitoral indica que o caminho a ser seguido é o mesmo iniciado em 2002.

Portanto, Jabor fala na TV, fala no rádio, escreve no jornal, mas não escuta o povo. E se de um lado temos um grande cineasta, do outro temos apenas um homem, um homem em crise.

Grande mídia organiza campanha contra Dilma

A jornalista Bia Barbosa, uma defensora ardorosa da comunicação como direito humano, participou do Seminário Democracia e Liberdade de Expressão. Foi a trabalho, fazer a cobertura do evento para a Carta Maior. Precisou de muito autocontrole para ouvir a conspiração midiática contra a esquerda e a eleição de Dilma Rousseff, pré-candidata de uma ampla frente partidária à Presidência da República. Depois de alguns engoves, produziu a bela reportagem que reproduzo na íntegra e que mostra o real objetivo da reunião dos donos da mídia nesta segunda – traçar uma estratégia para garantir o retorno dos tucanos ao governo.

Grande mídia organiza campanha contra candidatura de Dilma

Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.

Bia Barbosa

Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.

Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.

A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.

“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.

A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.

“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.

O tal ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.

“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.

“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.

O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.

Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.

“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (…) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (…) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.

O “risco Dilma”
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.

“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.

Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.

Hora de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.
“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.

“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.

“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.

Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.

24.2.10

Se acabou o Cordel

O anúncio do fim do Cordel do Fogo Encantado, nesta quara-feira, caiu como uma tromba d’água. A banda pernambucana, que está na estrada há 14 anos (primeiro como grupo teatral e em seguida como banda musical) construiu um dos trabalhos musicais mais originais surgidos no Brasil neste período.

A música do Cordel nos leva ao sertão, à seca. Nos arranjos musicais a poeira do sertão penetra não só nos ouvidos, mas na pele. Parece que nos transportamos. Um orgulho do Brasil e do povo nos invade ao ouvirmos um repertório que bebe na música regional, mas que agrega o que de mais moderno pode-se pensar.

Lirinha, ao anunciar sua saída do grupo, diz em nota: “É com muita dificuldade que redijo essa informação, devido ao imenso amor que eu sinto pelo público e pelos meus companheiros/guerreiros do projeto. Revelo, por respeito aos que me acompanham, a minha vital necessidade de trilhar novos caminhos. Ajudei a desenvolver um dos espetáculos mais originais da cultura pop do país e é com esse sentimento de orgulho que sigo em frente. Com a certeza de que o fogo da nossa poesia e da nossa música nunca se apagará e que nossa força é infinita!”.

Já diria o poeta “que seja eterno enquanto dure”. E foi. A necessidade de trilhar novos caminhos artísticos impõe inaugurações e encerramentos. E assim é.



23.2.10

Dilúvios, loterias e outros acasos do destino

O destino, esse senhor mal-humorado e perverso, nos prega cada peça! É comum ouvir o lamento de quem se queixa dos infortúnios da vida de forma resignada dizendo: se o destino quis assim, fazer o quê? E esse famigerado destino tem vários nomes: São Pedro, Deus, Casa Lotérica…..Depende da situação e do lugar…

Quis o destino ou a leviandade dos donos de uma casa lotérica no Rio Grande do Sul que novos milionários ganhadores do prêmio da mega-sena sejam condenados à miséria. Isso porque o jogo que fizeram não foi registrado e, segundo se especula, o motivo não foi erro, mas sim desvio do dinheiro dos apostadores para engordar o bolso do proprietário da lotérica!!!! Tem azar maior?

Em São Paulo, o destino atende por São Pedro, o senhor do tempo. Segundo comercial que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, está veiculando na televisão, os dilúvios que atingiram a cidade são os responsáveis pelo caos em que os paulistanos se viram mergulhados nos últimos meses. Claro, sem chuvas não há alagamentos. Mas pode haver chuvas sem alagamento também, basta que o município invista em infra-estrutura, projetos de ampliação das áreas verdes para melhorar a permeabilização do solo, piscinões, limpeza urbana, identificação de áreas de risco e ações preventivas para evitar mortes.

Quais desses itens tiveram atenção e tratamento prioritário nas administrações de Serra/Kassab? Não nos esqueçamos que o prefeito da cidade era vice de Serra, que abandonou a prefeitura para virar governador e deixou a cidade na mão de seu pupilo.

chuva

E o governo do Estado? Que atitudes têm tomado para evitar os problemas causados pela estação de chuvas? Acertou quem respondeu nenhuma.
E assim, entram chuvas saem chuvas, a cidade mergulhada no descaso e a culpa é dele, do destino, que trouxe o dilúvio, a tempestade…. Coitado, se for encontrado na rua é capaz de ser linchado o pobre. Enquanto isso, Serra e Kassab passeiam impunes.

22.2.10

DEM, nascimento e agonia

Reza a prudência que não se deve sepultar o morto de véspera. Mas com o número de lesões que estão se acumulando sobre o DEM, difícil não colocar no horizonte o definhamento do repaginado PFL.

Desgastado por uma história de serviço ao regime militar, de defesa dos símbolos mais reacionários da sociedade, o PFL percebeu que não tinha mais espaço para se manter no cenário político nacional. Precisava substituir da liderança do partido os velhos caciques e dar roupagem nova para ideias conservadoras e reacionárias. Um banho de vitrine.

O rebento publicitário nasceu em 2007, há pouco mais de dois anos. Página na internet, foco nos jovens, slogan enganoso – já que não há ideias novas gestadas neste partido – e um novo presidente, o jovem deputado federal Rodrigo Maia.

Os escândalos envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e seu vice, Paulo Octávio e agora a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab colocam o DEM numa situação de grande dificuldade para a disputa eleitoral.

Os fatos e a prática política do DEM dissolveram a demão de tinta que havia sido colocada sob o partido. Por detrás da tela que retratava o novo, revelou-se o velho.

Aliados tradicionais, como o PSDB, já começam a ver obstáculos em alianças e palanques eleitorais envolvendo lideranças da sigla em crise. Claro que sempre há sobrevida na política, vamos ver qual será a estratégia do DEM para sair dessa encruzilhada.

17.2.10

Entre cinzas e foliões

Dizem que no Brasil, o ano só começa depois do Carnaval. A folia serve como uma espécie de lavagem do corpo e da alma, uma catarse coletiva para renovar os ânimos.

Ano após ano o noticiário mostra que o número de foliões cresce exponencialmente e se diversifica. As pessoas vão se aglomerando numa muvuca musical que chega a ser assustadora. Tem carnaval para todos os gostos: trio elétrico na Bahia, frevo e maracatu em Pernambuco, cordões e blocos espalhados pelo interior e em capitais importantes, o desfile de escolas de samba – desde as grandiosas do Rio e São Paulo – até as agremiações menores de cidades pequenas, tem o carnaboi no Amazonas, quem sabe até o carnavanerão no Sul. É música, virou carnaval.

E merchandising, muito merchandising para vender de tudo. O carnaval é um dos negócios mais rentáveis do país. Atrai o turismo internacional, movimenta o turismo nacional, e alavanca a venda de coisas e pessoas. Afinal, no capitalismo tudo e todos não passam de produtos a serem comercializados.

É cada vez mais comum trazer artistas para endossar marcas. Em 2010 o desfile de celebridades internacionais contou com Madonna, Paris Hilton, Gerard Butler entre outros que fizeram a festa na Sapucaí e no Copa. E entre as atrações nacionais a presença é obrigatória. Gostando ou não de carnaval tem que marcar presença.

Em ano eleitoral, como este, também é obrigatório aos candidatos fazerem a maratona da folia. Desde quando é pré-requisito para ser candidato a governador, prefeito, ou presidente ter que gostar de carnaval? Os jornais usaram e abusaram da Dilma claramente exausta no camarote do governador do Rio na primeira noite de desfiles. E ainda anotaram, com uma conotação negativa, que ela não aguentou até o fim e saiu, cedo, à francesa. Qual o problema?

Não me levem a mal, não sou dessas pessoas que acha o carnaval uma festa que reúne pecadores. Pelo contrário, gosto de cair na dança, vou à quadra de escola de samba, a blocos, já visitei o Galo da Madrugada e os quatro cantos de Olinda. Já pulei carnaval de marchinha na praça do coreto. Mas me incomoda demasiadamente essa ditadura do carnaval, essa tentativa de impor um comportamento – não pular carnaval é quase um desvio de personalidade, as pessoas te olham com estranhamento.

Dizem, também, que a quarta-feira de cinzas tem um quê de melancolia.... Vai ver por isso esteja tão crítica. Talvez esteja saudosa de outros carnavais, onde a folia e a alegria eram naturais, espontâneas e não essa coisa fabricada que vemos hoje. Pode ser.

8.2.10

FHC defende seu legado e acusa "lulismo" de mentiroso

Em 2004, José Serra foi eleito prefeito de São Paulo. Disse que ia entregar aos paulistanos o melhor de sua energia para cuidar da cidade que tanto ama. Também disse que não estava usando a prefeitura como trampolim político e que cumpriria todo o seu mandato à frente da administração paulistana.

Claro que tudo isso foi conversa para boi dormir. Passados dois anos, lançou-se candidato ao governo do estado e deixou a prefeitura nas mãos do vice, Gilberto Kassab.

O resultado destes cinco anos de administração demo-tucana está em todos os jornais: enchentes, desabamentos, crise no sistema de transporte, propina nas merendas, aumento astronômico das taxas e impostos municipais, rendição à especulação imobiliária e por ai vai.

A mídia já jogou a toalha para o Kassab. Afinal não dá mais para esconder a inépcia de sua administração diante de tanto caos. Mas o governador José Serra mantém-se blindado, a salvo das críticas e das cobranças em torno da sua parcela de responsabilidade com a situação.

Candidato do PSDB e dos conglomerados da mídia à Presidência da República, José Serra é poupado e só aparece em destaque nas situações em que a exposição contribua para o seu projeto eleitoral.

Mesmo que este projeto esteja meio velado, já que o governador de São Paulo ainda não assumiu a candidatura, aguardando o momento ideal para fazê-lo. O problema é que tal momento talvez não se descortine. Dilma cresce nas pesquisas, para o desamparo de Serra, que imaginava esta eleição doce como baba-de-moça.

Nesse contexto, entra no jogo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cumprindo a função de artilharia pesada contra a gestão de Lula à frente do país e desqualificando a candidata ao Planalto. No artigo publicado neste domingo, 07/02, no Estadão, FHC antecipa quais serão os temas principais da campanha: “Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social”, afirmou o ex-presidente.

Em seguida, usa da retórica e manipula dados para desdizer a pecha de neoliberal atribuída ao PSDB, e diz que é mentira que o PSDB não investiu no desenvolvimento e nas áreas sociais. Mesmo assim, ainda defende a quebra do monopólio sobre a Petrobras, contabiliza como vitória a privatização da Telebrás, da Vale e da Embraer.

Ao final, FHC acusa o “lulismo” de ser mentiroso e de descontextualizar o debate sobre o país. Claro, mais um jogo de retórica da oposição. Tal misancene, vinda de um sociólogo que anunciou aos quatro ventos para que o mundo esquecesse tudo o que ele disse antes de assumir a presidência da República, não surpreende.

Nem deverá nos surpreender se, durante a campanha, José Serra em ato desesperado tal qual Geraldo Alckmin, vista um colete com os símbolos das companhias brasileiras para mostrar que o “monstro da privatização é coisa do passado.”

Numa coisa, contudo, FHC está certo: a briga é boa.

1.2.10

"Caça" ofertas

Que o brasileiro é motivado por pechinchas isso não é novidade. Independente do poder aquisitivo, o que vale é obter um bom desconto, quem sabe um brinde. A meta é levar alguma vantagem no negócio.

Consumidora leva produto de saldão

Consumidora leva produto de saldão

É só olhar para as filas e o tumulto das liquidações de início de ano, gente se atropelando, empurrando e esbofeteando para arrematar a geladeira, o fogão, o sofá, secador de cabelo, sapato, vestido – tem de tudo. Ah!, se precisar carregar a máquina de lavar nas costas não tem problema, dá-se um jeitinho. Esta blogueira também não foge à regra e está de olhos nos mega-saldões para ver se consegue uma boa compra.

O resultado desses impulsos consumistas nem sempre são os esperados – vários dos produtos amealhados pelas ofertas afora vêm com defeitos, ou têm pouca durabilidade e logo vem à cabeça o velho ditado popular “o barato sai caro”.

Um Rafale ou dois Gripen?
No caso da compra dos caças para a Força Aérea Brasileira a “mídia cria caso” está tentando induzir a opinião pública ao senso comum – o governo federal tem que aproveitar a oferta. Levar 2 pelo preço de 1.

Calma com o andor que o santo não é de barro minha gente. O Brasil precisa renovar sim sua frota de aeronaves de combate, mas deve fazer isso levando em conta não apenas o preço, mas os objetivos técnicos, econômicos e políticos na hora de tomar a sua decisão.

Tecnicamente não há como negar que o Rafale (França) e o F 18 (EUA) são superiores ao Gripen da Suécia, apontado como o favorito pela FAB que fez uma análise de preços e optou pelo mais barato. Reportagem do Globo mostra que o caça sueco ainda está na fase de teste, aliás, pré-teste.

Por outro lado, um país não faz apenas compra produtos, ele estabelece relações comerciais multilaterais e estratégicas visando a expansão econômica do país, seu posicionamento comercial e político no cenário internacional e, neste aspecto, a França que é o país de origem do Rafale tem um peso político e econômico relevante no cenário internacional – o que não se pode dizer da pequena Suécia.

25.11.09

Pequenos paraísos

marparati

Acima, Praia Grande, Paraty. Na verdade é uma pequena praia com muitos barcos de pescadores. Por ela, se tem acesso à Prainha, abaixo, um paraíso perdido entre duas montanhas.

prainha

Vai uma cachaça aí?

alambique
Alambique Engenho D’Ouro, em Paraty. Tonéis de destilação da aguardente de cana. Depois a cachaça é armazenada em barris de Carvalho e também de Jequitibá Rosa.

Um retiro para repor as energias

O ritmo de trabalho dos últimos meses foi alucinado. Semanas e finais de semana sem praticamente descanso algum. Nestes dias estarei repondo as minhas baterias num retiro para lá de particular. Paraty é uma cidade colonial, com casarões bem conservados e ruas de pedra que datam do século XVII. É uma das cidades eleitas como Patrimônio Histórico Nacional. O ano zero de Paraty é 1531, mas a cidade começou a despontar em 1600.

Paraty é rodeada por montanhas e pelo mar. São cenários belíssimos que trazem paz e tranquilidade. Nesta semana, compartilho com vocês algumas das imagens da cidade.

portaamarela

Tempo de intolerância e hipocrisia

Estarrecedor o que aconteceu com a estudante da Uniban que foi perseguida e achincalhada por uma turba de jovens por ter ido à aula com um mini-vestido.

O senso comum diz que a garota estava “procurando”, que foi para a aula com o intuito de provocar, e que a sua roupa era de uma vagabunda, prostituta, que – como bradavam os vestais nos corredores da Uniban – devia ser estuprada. Fico me perguntando de onde vem tanto preconceito.

Ditadura da moda
Os mini-vestidos estão na moda. Vemos todos os dias na televisão, as atrizes desfilando modelos para lá de curtos, mostrando as pernas da metade da coxa para baixo. Os minis estão em todo lugar: nas vitrines dos shoppings, nas lojas de rua, nas lojas de grife. É o revival dos micros dos anos 70. Saia na altura do joelho, neste verão, será démodé.

Segundo alguns sites de moda, os mini mini vestidos são obrigatórios. Eles foram os principais protagonistas da temporada de desfiles das coleções primavera-verão 2009.

Ai, quando uma jovem resolve usar um mini é recepcionada por uma multidão descontrolada? Por quê? Mini é só para atriz? Uma jovem comum, bombardeada cotidianamente pelos apelos da publicidade e dos ideais de beleza se usar um mini é vagabunda?

Hostilidade universitária
Mais perturbador ainda é o fato das cenas de preconceito terem se passado no interior de uma universidade, que deveria ser um espaço democrático que abriga tendências de todos os tipos.

Alguns podem se defender dizendo que o vestido não estava adequado para aquele ambiente. A estes fica o desafio: quem já fez universidade no período da noite e nunca emendou uma “balada” e, portanto, já foi produzida para a aula que atire a primeira pedra. E, mesmo que a roupa não estivesse adequada, não justifica tamanha insanidade, tamanho conservadorismo hipócrita.

Sociedade da intolerância
Receio que este episódio mostre que a sociedade está se tornando, a cada dia, mais intolerante, mais conservadora e reacionária. Estamos vivendo na era do é proibido na vida real, enquanto a permissão e a chancela para estes comportamentos são exibidos diariamente na TV. É a era da exposição máxima e da privacidade mínima. Dos julgamentos prévios e públicos sem direito de defesa, do sensacionalismo.

E o pior de tudo, é tempo de hipocrisia. Como diria Drummond – Este é tempo de homens partidos.

23.10.09

Uma homenagem

O belo da ciência e de sua história é que não há um ponto final e tampouco somente um ponto de partida possível para desaguar no vasto conhecimento já acumulado pela humanidade.

Muitos podem imaginar que certos temas já não merecem estudo, uma vez que consagrados e já solidificados. Mas a curiosidade científica e o olhar interessado podem sempre encontrar novas abordagens e, com isso, derrubar conceitos e pré-conceitos estratificados.

Foi um pouco isso que vi, hoje, durante a defesa da tese de doutorado de meu querido amigo Cesar Lopes “Modelos atômicos no início do século XX: da Física Clássica à introdução da teoria Quântica”.

Cesar é químico. Eu o conheci há 15 anos, durante o Encontro Nacional dos Estudantes de Química, em Goiânia. Ele da UFRGS eu da USP. Ele já era liderança e figurinha carimbada nos debates sobre o ensino de Química. Era meu primeiro encontro, mas já chegava como presidente do CA e cheia de opinião pra dar.

Nossa amizade cresceu naquele mesmo ano de 1995, quando nos encontramos no ônibus que seguia do Tietê para Caxambu, onde íamos participar da reunião da Sociedade Brasileira de Química. Lá, à beira da piscina do hotel, no teleférico, nos bares, nas palestras, conversamos tanto sobre o futuro, imaginando planos ideais e traçando metas profissionais e acadêmicas.

Naquela ocasião, essas conversas tinham um quê de desvario, de improbabilidade. Afinal, ambos éramos graduandos, jovens ainda, sonhadores. Ele se formou primeiro. Lembro-me vivamente daqueles dias em que fui a Porto Alegre para a sua formatura. Um ciclo se encerrava. Discutimos sobre o seu discurso (ele foi um dos formandos a usar a tribuna do auditório da URFGS na cerimônia), em que ele fazia a homenagem para sua vózinha querida e mantinha o olhar pregado no futuro, pela citação de Galeano – a utopia é isso, é seguir caminhando.

E seguimos. Tomei outros rumos e me distanciei da Química. Ele traçou novos objetivos. Tornou-se professor da universidade e perseguiu a carreira acadêmica. Até chegar o dia de hoje, quando recebeu da banca a nota Dez pela sua pesquisa, por sua dedicação, por sua teimosia.

Nos seus agradecimentos, ainda que para pequena plateia, não abriu mão de registrar a importância da existência de agências de fomento à pesquisa no Brasil, sem as quais seria impossível termos produção científica e pesquisadores em nosso país.

A persistência de Cesar é a mesma de tantos outros brasileiros que, não sendo da elite, lutam para conseguir um espaço no ambiente universitário.

2.10.09

A Olimpíada é nossa!


Uma energia positiva, um sentimento patriótico, de orgulho e paixão pelo Brasil cercaram a vitória do Brasil para sediar as Olimpíadas de 2016.

Ver o presidente Lula chorando, o ministro Orlando Silva chorando, gente do povo, de origem humilde e que não perderam a capacidade de se emocianar com o Brasil certamente despertou em cada brasileiro um sentimento de alegria.


15.9.09

Terra estrangeira no Brasil

A construção social dos signos é um processo ideológico cumulativo e, em certa medida, imperceptível. É incrível ver como determinadas palavras adquiriram um sentido extremamente negativo a partir da disseminação dos valores neoliberais, amplamente abraçados pelas elites brasileiras na década de 90.

São 20 anos de construção simbólica que objetivou destruir a noção do público, do papel do Estado, da nação, do coletivo, da soberania. Fomos alfabetizados na cartilha onde tudo que é estrangeiro é bom, é avançado, é moderno e eficiente, ao passo que tudo que é local é atrasado, buracratizado e ineficiente.

Propriedade e Soberania

A manchete da Folha “Governo amplia restrição a estrangeiros na Amazônia” longe de ser informativa é opinativa e claramente contrária à iniciativa do Planalto. Isso porque a medida visa manter a soberania e unidade do território nacional em região estratégica para o desenvolvimento do país.

Tais princípios estão consignados ao longo de toda a Constituição de 1988, dilacerada pelo governo Fernando Henrique Cardoso que procurou remover, a todo custo, os entraves para colocar a nação à venda.

Está no artigo 190 da Constituição: “A lei regulará e limitará a aquisição ou o arrendamento de propriedade rural por pessoa física ou jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que dependerão de autorização do Congresso Nacional”.

Atualmente, a lei diz que o limite para aquisição de terras por estrangeiros em território nacional é de 25%. A proposta do governo é reduzir esse limite dentro da Amazônia Legal para 10%.

Segundo levantamento do Incra, 3,6 milhões de hectares de terra estão sob propriedade de estrangeiros. A extensão corresponde à área de Twaian.

Estratégica para o crescimento
A Amazônia é fonte inestimável de riquezas naturais, possui um acervo bioquímico que pode trazer um grande avanço econômico e social se manejado de forma sustentável, uma enorme diversidade animal e cumpre papel central para o equilíbrio climático do mundo. Por tudo isso, nossa Amazônia é alvo de cobiça internacional. Já apareceu em material didático norte-americano como território internacional, há os que dizem que tamanha riqueza não pode ter um único dono (no caso o Brasil).

A iniciativa do governo é mais que oportuna por ampliar o controle do Estado brasileiro sobre seu território e por pautar, mais uma vez, o debate político em torno de conceitos que o neoliberalismo insiste em desgastar, mas que continuam mais atuais que nunca para promover uma estratégia de crescimento soberano e sustentável da nação brasileira.

Para o Brasil se apropriar do Brasil
A foto acima foi tirada por mim em 2005, quando fui cobrir a 1ª edição da retomada do Projeto Rondom. Conhecer a Amazônia foi uma experiência que mudou o meu olhar sobre o Brasil. Viajar pelo Alto Solimões, visitar comunidades ribeirinhas isoladas e ver de perto as fragilidades e as riquezas da região e do povo que ali vive ampliaram a minha certeza de que é preciso que o Brasil se aproprie do Brasil. Vou disponibilizar, no blog, algumas das reportagens que escrevi naqueles 20 dias que me embrenhei no coração da floresta.

11.9.09

100% Favela

Numa vasta extensão
onde não há plantação
nem ninguém morando lá
cada um pobre que passa por alí
só pensa em construir seu lar
e quando o primeiro começa
os outros, depressa, procuram marcar
seu pedacinho de terra pra morar
E assim a região sofre modificação
fica sendo chamada de nova aquarela
e aí que o lugar então passa a se chamar
Favela.
Padeirinho e Jorge Pessanha

Tratada com preconceito pela sociedade e desprezada pelos governantes, a favela e seus moradores fazem parte da realidade que todos querem esconder. Por mais que ela esteja integrada à cidade – a favela não está só na periferia ou nos bairros pobres – pouco realmente se sabe dela que vá além da fachada de casas e barracos amontoados e dos estereótipos reproduzidos em filmes e novelas.

A imagem que se tem da favela está muito distante da desenhada no samba de Padeirinho e Pessanha, e está mais próxima da fria descrição que encontramos no Aurélio “Conjunto de habitações populares toscamente construídas (por via de regra em morros) e desprovidas de recursos higiênicos”.

Não é de se admirar que se tente “proteger” a sociedade das favelas, construindo verdadeiros “cordões sanitários” em torno destas, como a recente iniciativa carioca de murar 11 favelas de “bairros nobres”.

Quebrar o preconceito e romper os estereótipos construídos para mostrar que na favela não tem só “bandido, traficante, maloqueiro, depredadores, arruaceiros” e toda sorte de adjetivos depreciativos que se possa encontrar é um desafio enorme.

Alguns projetos sociais – infelizmente de pouco alcance e que sofrem da mesma invisibilidade que tentam impor às favelas – podem ajudar a colocar um tijolinho nessa reconstrução simbólica e social de um espaço urbano que precisa de políticas públicas e atenção social.

É o caso do projeto Wikmapa desenvolvido por jovens de escolas públicas que estão mapeando a favela “por dentro”. Veja reportagem da TV Brasil



Para ler mais sobre favela
www.observatoriodefavelas.org.br
www.favelaeissoai.com.br

1.9.09

Para não dizer que não falei do Pré-Sal

O pré-sal é o tema do momento. E não poderia deixar de ser, tamanha importância que seus dividendos poderão trazer, ou não, para o Brasil.

Desde a 2ª Revolução Industrial, com a construção do motor a combustão e o emprego industrial do petróleo e seus derivados, o mundo tem se polarizado em torno da disputa pelo controle desse 'ouro negro'.

Portanto, não é sem razão que o presidente Lula tenha dito que a descoberta do pré-sal é uma "dádiva de Deus", um "bilhete premiado". Imagino que qualquer país do mundo esteja invejando o Brasil e, mais ainda, esteja de olho nesta riqueza e pensando os meios possíveis para também tirarem uma lasca dela.

Na verdade, estão todos de olho no pré-sal. É como uma matilha de lobos esfomeados de olho numa presa, cada lobo analisando o movimento de seu concorrente e da própria presa para definir o melhor momento para partir ao ataque.

De quem é o pré-sal, afinal?
A mídia, que não titubeia e nem sequer tem pudor em esconder de que lado está - o lado dos ricos - noticiou a cerimônia de anúncio da proposta do Executivo para o marco regulatório do pré-sal como ameaça nacionalista e estatizante. Palavras abominádas pelos amantes da globalização neoliberal.

Mas, alguém em sã consciência pode questionar que o petróleo encontrado no Brasil é do Brasil e portanto, do povo brasileiro e em seu benefício deve ser explorado? Que para garantir que a riqueza proveniente dessa exploração seja aplicada no Brasil é necessário que haja um controle do Estado (outra palavra riscada do vocabulário neoliberal) sob esses recursos? Ou alguém acha que um consórcio privado de empresas, que estão babando para auferir mais lucros e engordar suas riquezas, serão melhores guardiões para garantir que os recursos do pré-sal sejam revertidos para o fortalecimento do Brasil e redução da miséria em nosso país?

Os bordões têm a desvantagem de, com o tempo, ficarem desgastados por serem tantas vezes entoados. Mas a palavra de ordem "O Petróleo é Nosso" não perdeu o conteúdo político, econômico e social. Pelo contrário, sua vitalidade e atualidade se renovaram e se amplificaram com a descoberta do pré-sal.

Está certo o presidente da República: o governo de Fernando Henrique Cardoso tentou a todo custo enfraquecer e privatizar a Petrobras, porque predominava no governo o pensamento subalterno. FHC teve sucesso apenas parcial, graças à luta do movimento social e resistência popular. Chegaram a dizer que a Petrobras era o último dinossauro a ser extinto. Mas ele sobreviveu. E nos últimos anos, os da gestão Lula, foi alimentado, se fortaleceu e cresceu. E, agora, irá operar a maior fonte de riqueza desse país.

O pré-sal é a nova independência para o país e nenhum processo de independência ocorre sem luta política. Mas o povo está pronto para ela, porque o povo precisa de mais educação, mais saúde, mais moradia, mais lazer, mais cultura e o Brasil precisa ser uma nação mais forte, mas desenvolvida. E, como sempre digo, é isso que a elite e a mídia não engole, porque são contra o Brasil e contra o desenvolvimento.