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6.8.14

Como abrir uma cidade para todos

Secretário de Cultura, Juca Ferreira, em entrevista do São Paulo Aberta

Projeto da prefeitura visa integrar ações na cidade de São Paulo. Na área da Cultura, o secretário Juca Ferreira falou a blogueiros das iniciativas em andamento.

Pode parecer maluquice, mas as cidades estão cheias de portas, muitas delas fechadas por sete chaves e muitos reais. Principalmente as grandes, megalópoles como São Paulo, que tem uma área de 1530 km2 e mais de 18 milhões de habitantes que vivem em um território marcado por profundas diferenças econômicas, sociais e geográficas que acabam determinando quem pode ir, fazer o que e como.

Por isso, faz sim muito sentido a iniciativa da prefeitura em lançar o projeto São Paulo Aberta para articular, integrar e fomentar as ações na cidade com participação social. E uma das premissas para a população poder participar, opinar e fiscalizar qualquer iniciativa de um governo é a transparência e o diálogo.

Este foi um dentro os vários temas tratados na entrevista promovida pelo São Paulo Aberta com o Secretário Municipal de Cultura, Juca Ferreira, a blogueiros nesta segunda-feira, 04 de agosto. Participaram os blogs da Cidadania, SpressoSP, Blog do Miro, e o Janela.

Cultura para uns

Ao chegar em São Paulo para assumir a secretaria, Juca Ferreira disse que se espantou com as poucas iniciativas públicas para a Cultura numa cidade do tamanho de São Paulo. “O público é precário para que o privado atue”, disse Ferreira. A frase resume bem como o poder econômico foi moldando uma cidade que, em suas palavras,“foi feita para o trabalho”. Questionado sobre como ele percebia o paulistano, respondeu que “não existe um paulistano médio”, porque o que há aqui é uma grande diversidade de nacionalidades e regionalidades. Mas um traço marcante no comportamento do paulistano o incomodou: “assusta o conservadorismo sistêmico, que dificulta a pessoa de estar próxima da alegria”. Para exemplificar, ele falou das inúmeras cartas e reclamações de cidadãos com queixas sobre festas, atividades culturais de rua, eventos.

A classe média paulistana prefere os espetáculos privativos, em casas de shows hermeticamente fechadas, não é à toa que os espaços públicos, as ruas, foram se esvaziando e deixadas ao abandono. “São Paulo teve a ilusão de que cabia num shopping”, disparou o secretário de Cultura.

Mas essa sensação foi um engano, que ficou mais evidente a partir da inclusão econômica e social promovida pelo país nos últimos anos. Reflexo disso, é que crescem as demandas de políticas, principalmente as voltadas para as camadas sociais mais baixas. “A periferia quer tudo o que nunca teve e que tem direito a ter”, disse. "Há uma demanda reprimida e São Paulo tem muito pouco a oferecer”, avaliou.

Iniciativas se multiplicam para aumentar o acesso e produção

Um vetor importante para as políticas da prefeitura é o da reocupação do espaço público. Daí a importante iniciativa de reabrir cinemas e teatros de rua, iniciativa que pode ser bem ilustrada pela reinauguração do Cine Belas Artes. E um dos entraves para ações como esta é a especulação imobiliária. “Temos atualmente 12 teatros com ameaça de serem expulsos pela especulação imobiliária. A atividade cultural valoriza e revitaliza uma área”, destacou. Mas lamentou que a prefeitura sozinha não tem como enfrentar essa questão e disse que é preciso recuperar a vocação cultural do centro de São Paulo.

Ainda como parte desta estratégia de reocupação do espaço, Juca Ferreira se referiu à Virada Cultural. Quando assumiu a secretaria, foi se informar sobre o projeto e avaliar se deveria ou não dar continuidade. Mas ele percebeu que a avaliação positiva da Virada não era principalmente pelos shows e atividades culturais que ela oferece, mas sim pela possibilidade de convivência entre as pessoas e de recuperação do espaço da cidade como centro de vivência.

Nesse sentido, vieram a descriminalização do Hip Hop e do Funk, que estavam proibidos na cidade, e também a legalizou das manifestações carnavalescas.

Juca Ferreira deu um panorama do que está sendo construído no âmbito da Secretaria de Cultura para que se possa enfrentar este déficit de políticas culturais para a cidade. Referiu-se a equipamentos culturais que já são consagrados e que referências, como o Centro Cultural São Paulo – local em que ocorreu a entrevista – e o teatro municipal.

O primeiro, na avaliação de Juca talvez seja o equipamento cultural mais bem sucedido de São Paulo. “Quando eu cheguei já havia uma boa programação e ocupação deste espaço. A sociedade se sente proprietária deste espaço”, e por isso, ele manteve a equipe e a vocação do Centro Cultural.

Com relação ao Teatro Municipal, houve uma ampliação das apresentações próprias e se expandiu a estrutura de formação para outros pontos da cidade, com o objetivo de facilitar o acesso às camadas mais populares para a formação artística.

Na periferia há programas para ampliar o acesso à recursos e estrutura para a produção cultural local, um deles é o Cidadania Cultural. Também informou que está em discussão o retorno das Casas de Cultura para a gestão da secretaria, e que sua intenção é dar maior dinamismo à ocupação destes equipamentos de forma criativa com o que já é produzido pela cidade.

Outra iniciativa importante da Secretaria de Cultura, lançada algumas horas depois da entrevista, é o projeto Mapas Culturais/SP Cultura, uma plataforma colaborativa e georeferenciada para reunir informações sobre projetos culturais na cidade.

Com tanto a mostrar, então porque a administração do prefeito Fernando Haddad apresenta índices baixos de avaliação? A esta pergunta, Juca Ferreira referiu-se ao papel da mídia, que teme que o prefeito se firme como uma liderança na cidade e tenha projeção nacional, e também faz uma avaliação crítica da própria postura da gestão. “Acho que a gente errou na comunicação, a gente comunica muito pouco o que faz. É preciso reconstituir o diálogo com a população. É ilusão pensar que é suficiente sermos bons na gestão, nós temos que ter a capacidade de dialogar mais com a cidade. A transparência fortalece as políticas públicas que devem ser construídas com a participação social”.

Assista à íntegra da entrevista


12.3.12

A Folha na TV tenta mostrar que faz jornalismo


Domingo, 10hs da manhã. Tomo o café da manhã lendo a Folha de S. Paulo – o impresso. Nesta edição, o destaque é para a estreia da Folha na TV. Um espaço alugado, emprestado, compartilhado no horário mais nobre do domingo na programação da TV Cultura – emissora pública do Estado de São Paulo. Ou, infelizmente, não tão pública.

18 horas. Voltando do almoço dominical na casa da sogra, enfrento uma chuva torrencial na estrada. Quero chegar antes das 20 horas, curiosa para assistir ao programa do jornal – afinal, ossos do ofício. Quando me aproximo, uma árvore caída na rua, uns 50 metros antes da minha casa, impede a passagem. Não há luz. Fui acolhida por uma vizinha e aguardei a retirada dos troncos para terminar a noite à luz de velas.

Então, o programa de TV do jornal impresso eu assisti pela manhã, na internet. Convergência de mídias é isso ai. Tivesse eu uma assinatura 3G poderia assistir no celular, ou no tablet (se eu tivesse um). Enquanto não há regulamentação dos artigos constitucionais que tratam da comunicação social é isso que temos – jornal e revista na TV, TV dona do jornal, locação de horário em emissoras que são concessões públicas... mas isso é outra história. Voltemos à Folha na TV.

Formato de web na TV

O TV Folha começou já há algum tempo como espaço audiovisual de notícias veiculado no Folha.com. Com formato dinâmico e reportagens que tinham um tratamento editorial mais focado na denúncia, mesmo quando se tratava de ações do governo paulista. Na televisão, o TV Folha manteve a mesma dinâmica e formato editorial.

O tratamento de imagens é mais arrojado do que o visto no telejornalismo consagrado pelo padrão Globo. A câmera participa da reportagem como personagem e não apenas como instrumento para captar a realidade. A velocidade, os desfoques e um enquadramento mais livre para usar a imagem editorialmente. Os infograficos, uma especialidade do jornal impresso, também foi bem integrado à linguagem audiovisual, sem aquele formato careta. Esteticamente, um produto muito bem realizado.

Mostrar prestígio e isenção

Em três blocos, o TV Folha foi ao ar nesta primeira edição para impactar o público mostrando que tem prestígio e isenção. No primeiro bloco, uma reportagem sobre a invasão na cracolândia trouxe depoimento do governador Geraldo Alckmin. Em seguida, veio o prefeito Gilberto Kassab para falar da cidade de São Paulo e da avaliação da sua gestão.

A primeira reportagem sobre um tema já exauridamente tratado pelo noticiário desde janeiro, teve o tom de análise da ação da PM paulista no centro da cidade para “limpar” a região dos usuários do crack. O ponto de partida da análise foi discutir se a iniciativa do governo, em parceria com a prefeitura, foi motivada pelas eleições 2012. Com depoimentos contra e a favor da ação, e ancorado pelas pesquisas do Datafolha, a reportagem tentou passar neutralidade no tratamento do fato, mas ao final ficou a mensagem de que a ação da PM cumpriu o objetivo de tirar os “viciados” como disse o repórter, Fernando Canzian, do centro paulistano.

Que vergonha da Bárbara

A tentativa de transformar a Bárbara Gancia no Márcio Canuto da TV Folha foi de uma vergonha alheia total. Fiquei constrangida ao ver a colunista de socialiates batucando um Kassab caçamba numa garrafa vazia de whisky. Com tiradinhas como cachepô dos infernos, ela tentou fazer a denúncia das caçambas sem fiscalização que ficam nas ruas da cidade. Gancho para uma entrevista com o prefeito, na qual os jornalistas Fernando Canzian e Vera Magalhães fizeram perguntas para tentar colocar o prefeito contra a parede. Jornalismo isento.

Puxão de orelha no Chico, que deselegância

No bloco Ilustrada, a TV Folha pegou carona do show do Chico Buarque em São Paulo da forma mais deselegante possível. O jornalista Ivan Finotti diz que o show é ótimo porque o cantor relembra vários sucessos. Mas, para ele, há um porém: o Chico canta 10 músicas do disco novo que ninguém quer ouvir????, diz o repórter. E para fechar a deselegância com chave de ouro, ele ainda dá um puxão de orelha no Chico dizendo – Chico podia ter sido só 5 vai! Sem comentários.

Mundo, Poder, Cotidiano do impresso para a TV

Como você já pôde perceber até aqui, as editorias do jornal impresso ganharam endereço também na versão para TV. No TV Folha Mundo, o programa trouxe uma reportagem sobre o a situação das regiões japonesas atingidas há um ano pelo Tsunami.

No TV Folha Poder, o jornalista Fernando Rodrigues ganhou uma coluna e no TV Folha Mercado o agraciado foi Vinícius Torres que pelo visto vão dar voz ao pensamento anti-Dilma encastelado no jornal.

Já o Cotidiano na TV trouxe reportagem sobre a reintegração de posse do Pinheirinho com entrevista exclusiva de Naji Nahas. Incrivelmente o jornal para TV dos Frias transformou o caso de São José dos Campos como uma ação de Nahas. O papel do governo paulista no episódio foi omitido escandalosamente.

Propaganda do jornal e do jornalismo Folha

Entre uma e outra reportagem, o TV Folha faz propaganda do jornal impresso, mostrando o trabalho na redação, o edifício, o jornal na prensa tentando passar a mensagem de um jornalismo que vai às ruas, aos fatos, apura e tem responsabilidade com a notícia. Esse “trabalho” não pode ser mostrado no impresso. Mas as imagens falam mais que mil palavras.

Num momento em que a credibilidade da Folha vem sendo questionada por amplos setores, em que fica visível nas linhas do jornal o tom oposicionista ao governo Dilma e o atrelamento do veículo ao projeto político dos tucanos, ter um produto audiovisual que procure desmontar essa crítica é estratégico.

6.3.12

Estão querendo colocar água na sua cerveja


Foi no SpressoSP, que tive conhecimento da estapafúrdia iniciativa do deputado estadual paulista Campos Machado (PTB) para proibir o consumo de bebidas alcoólicas em lugares públicos de todo o Estado de São Paulo. A visionária proposta tramita pelo número 767 e, se aprovada, precisa ser sancionada pelo governador Geraldo Alckmin.

É o tipo de notícia que deveria deixar qualquer um boquiaberto. Mas eu confesso que não estranhei. Esta é mais uma entre tantas outras iniciativas de cunho proibitivo que estão em curso na sociedade.  Este tema já foi abordado neste blog no post Proibir agora é legal!

Não faço apologia ao álcool, que fique bem claro. Mais a cruzada contra o consumo de bebidas está extrapolando todos os limites. Como já previu Chico Buarque, “nunca mais cinema, numa mais drink no dancing”.

Se vingar a falta de bom senso, é melhor correr para se despedir daquela cervejinha super gelada na praia, da caipirinha à beira mar... Agora só água de coco. Os amantes devem esquecer os piqueniques regados a um bom vinho. Mas não se preocupe, o mercado está repleto de sucos de uva de ótima qualidade.

Me pergunto como vão ficar os bares que têm suas mesinhas nas calçadas, disputadas ombro a ombro nos dias quentes como o de hoje. Afinal a rua é pública, portanto devem ficar sumariamente proibidos consumir álcool nestas mesas. Elas vão perder o sentido e devem deixar de existir. Melhor, alguns podem pensar, mais espaço nas calçadas para as pessoas circularem.

Talvez fosse melhor colocar a cerveja, o vinho, a cachaça e afins no rol das drogas ilícitas. Sei que muita gente defende isso em nome do bem maior da sociedade, de uma vida saudável e sem vícios.

Tomara que até lá eu já tenha passado desta para melhor, porque vai ser um mundo chato demais!

17.2.12

E agora São Paulo?


São Paulo: o apóstolo dos gentios, um dos santos mais importantes da Igreja Católica; clube de futebol tri-campeão do mundo; cidade com 11 milhões de habitantes; o mais importante estado brasileiro. Seja como for, São Paulo sempre é grande e cheio de problemas.

Mas a pergunta, nesta oportunidade, pode ser melhor formulada assim: Quais serão os acordos firmados nos bastidores da política paulistana para as eleições de outubro de 2012? Tudo indica que, pelo andar da carroagem, ressuscitarão a candidatura de José Serra para anular os anseios petistas de ganhar a prefeitura. Não haverá uma terceira via como alternativa forte o suficiente para colocar um basta na polarização PSDB-PT que se arrasta por mais de 2 décadas na cidade, e o debate de projetos para a São Paulo ficará secundarizado mais uma vez.

O maestro deste cenário político-eleitoral foi o atual prefeito Gilberto Kassab. Um político que até pouco tempo era inespressivo e que deve muito da sua projeção ao amigo Serra. Justiça seja feita, Kassab nunca negou isso para ninguém.

Desde que iniciou os contatos para preparar a sua sucessão na prefeitura, Kassab sempre deixou claro em todas as conversas, com todos os partidos, que num cenário em que Serra fosse candidato ele o apoiaria. A questão é que ele sempre fez questão de registrar que considerava essa possibilidade inexistente. Na sua avaliação, Serra não concorreria à prefeitura paulistana novamente, em nenhuma condição.

Muitos subscrevemos essa avaliação. Erramos todos os que apostavam na ausência de Serra na disputa. Erramos todos que acreditaram que o PSDB viria fragilizado para as eleições, com um candidato sem prestígio e com pouca viabilidade eleitoral. Os tucanos abririam mão, de entrada, da prefeitura da maior cidade do país??? Abdicariam de deslocar a correlação de forças eleitoral em seu favor, como se a ocupação da prefeitura de São Paulo não desequilibrasse o cenário político nacional a favor do partido que estiver a sua frente?

Entre inocentes e espertos, o povo da maior cidade do país pode ser mais uma vez coadjuvante nesta disputa.  

29.11.11

São Paulo ganha o SPressoSP

                                                                                   São Paulo é tão superlativa que a ausência de um jornal que trate especificamente das questões da cidade deixa uma lacuna muito grande.  Folha de S.Paulo, Estadão, Diário de S.Paulo não são jornais sobre a cidade e para a cidade. O Agora São Paulo, poderia se aproximar disso, mas tem o DNA de um veículo sensacionalista e com foco na banalização da violência.

Na internet, também não havia espaços de informação e reflexão sobre São Paulo, apenas as editorias locais dos grandes portalões – que nunca se propuseram a cumprir esse papel.

Por isso, o nascimento do SpressoSP deve ser comemorado e divulgado amplamente. Usar a internet e todo o potencial colaborativo que ela tem para iluminar uma discussão que estava apagada é muito positivo e pode contribuir de fato para construir um pensamento sobre os problemas da cidade.

Não é só a partir de estudos acadêmicos avançados que se podem extrair propostas e projetos para enfrentar os graves problemas estruturais e sociais da cidade. A partir da divulgação de experiências reais e de problemas reais também podem surgir ideias de iniciativas que possam trazer mais dignidade para São Paulo e seu povo.

SPressoSP é uma iniciativa fundamental. Acesse, leia, acompanhe, divulgue!

14.2.11

Entidades lançam nota contra desmonte da RTV Cultura

A Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão, carinhosamente apelidada de Frentex, é uma articulação de entidades que se reúnem desde o processo de construção da 1ª Conferência Nacional de Comunicação.

Estas entidades, diante do processo de sucateamento da Rádio e TV Cultura de São Paulo, lançam nota repudiando a política dos governos do PSDB no Estado, que têm promovido já há alguns anos, mas de forma mais acintosa nos últimos 3 anos, o desmonte da TV pública estadual.

No próximo dia 21 de fevereiro, às 19 horas, a Frentex realizará uma reunião ampliada na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, um debate sobre a situação da Cultura, buscando resgatar o projeto inicial da TV, o papel da Fundação Padre Anchieta e o aparelhamento tucano da emissora que deveria ter uma gestão pública.

Leia abaixo a Nota da Frentex:


Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão (Frentex) divulga nota repudiando o desmonte da RTV Cultura

A Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão (Frentex) vem a público repudiar o desmonte da RTV Cultura promovido pelo governador do Estado de São Paulo.

A notícia das 150 demissões ocorridas na RTV Cultura de São Paulo na última segunda-feira, dia 7, só confirma a intenção do PSDB de desmonte da única emissora pública paulista, que faz parte do patrimônio do povo.

A emissora enfrenta uma das maiores crises de sua história. Já foi amplamente divulgado na mídia que o projeto da atual gestão da Fundação Padre Anchieta, ligada diretamente ao governo de São Paulo, é reduzir o quadro de funcionários e efetuar corte de verbas em algumas de suas produções. Com isso, pretendem economizar as custas dos empregos e da qualidade da programação da emissora, alterando inclusive o papel social da Fundação, gestora da TV Cultura.

Para honrar o Estado democrático que conquistamos após anos de arbítrio, é necessário que a TV Cultura propicie programação de qualidade, jornalismo independente e ético, participação da sociedade em seu Conselho Administrativo e condições de trabalho dignas a todos os funcionários.

O Estado de São Paulo não pode ser mero espectador no processo de avanço da democratização dos meios de comunicação que está sendo discutido em nível nacional, idéia que se fortaleceu mais ainda após a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, da qual o movimento social paulista teve grande representação, apesar do boicote promovido pelo governo do Estado.

Nesse sentido, defendemos um amplo debate sobre o papel da TV Pública no Estado de São Paulo para que ela continue sendo um instrumento de fortalecimento dos valores e costumes do povo, que tenha diversidade de idéias e de opiniões e ajude no fortalecimento de nossa democracia.

São Paulo, 10 de fevereiro de 2011.

Entidades que assinam a nota:

Campanha pela Ética na TV
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Cidadania e Saúde
Ciranda da Informação Independente
Coletivo Intervozes
Conselho Regional de Psicologia de São Paulo
Coordenação Nacional de Entidades Negras/Conen-SP
CTB-SP
CUT-SP
Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa – FJLP
Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo
Movimento Sindicato é pra Lutar
Observatório da Mulher
Revista Debate Socialista
Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo
Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo
Sinergia CUT (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de SP)
União Brasileira de Mulheres
União Estadual dos Estudantes
União de Mulheres de São Paulo

28.5.10

Negros são o primeiro alvo da PM

Tem certas coisas que a gente percebe sem precisar de estatísticas. Uma delas é que a Polícia Militar é uma corporação violenta e racista. Em São Paulo, as evidências das arbitrariedades cometidas pela PM são tantas e tão flagrantes que, infelizmente, já não chocam mais ninguém. As pessoas já encaram essa situação com certa “normalidade”. O ser humano é um animal que se adapta.

Mas alguns são inquietos e querem mudanças. Ainda bem! Um desses é o major da Polícia Militar de São Paulo, Airton Edno Ribeiro, chefe da divisão de ensino do Centro de Altos Estudos de Segurança (CAES), e que fez um estudo que resultou na dissertação de mestrado sobre “A Relação da Polícia Militar Paulista com a Comunidade Negra e o Respeito à Dignidade Humana: a Questão da Abordagem Policial”. Quem quiser ler na íntegra, o que eu recomendo, clique aqui.

O resultado do trabalho de Airton Edno Ribeiro fui divulgado nesta sexta-feira, pelo jornal Diário de S.Paulo. A reportagem “PM é racista” trás alguns dados da pesquisa desenvolvida pelo major e o comentário do sociólogo predileto da mídia e da elite brasileira: Demétrio Magnoli.

O sociólogo é quem faz o contraponto: “A questão econômica é mais forte que a racial. Os pobres sofrem mais com a polícia do que os ricos. Ninguém comenta os crimes cometidos contra brancos pobres”. Magnoli não deve ter se dado ao trabalho de ler o estudo do major. Se tivesse lido, não diria tal bobagem. Edno Ribeiro mostra em sua dissertação que o recorte social é o primeiro, mas vem acompanhado do recorte racial na hora da abordagem.

Raízes históricas do racismo
Partindo de uma análise muito consciente da construção social brasileira e latino-americana, das raízes históricas do racismo e de como ele permanece impregnado nas instituições e na sociedade, Ribeiro traçou como objetivo geral de sua pesquisa: “conhecer como ocorre a prática social da abordagem policial de negros dos pontos de vista de quem aborda e é abordado. O objetivo específico é conhecer, em São Paulo, que processos educativos são vivenciados pelo policial militar e pela pessoa negra abordada”.

“Desde a libertação dos escravizados, historicamente, foi o próprio descaso governamental em relação aos libertos que transformou o negro e sua cultura em problema de segurança pública. Ainda no final da década de 70 do século passado, por exemplo, não eram raros os relatos de recriminação às manifestações afro-religiosas e culturais, com invasões policiais em “terreiros”, principalmente de candomblé e umbanda, e em locais de ensaios de escolas de samba paulistanas, tanto em quadras próprias como nas ruas ou praças onde ensaiavam, pois a maioria delas não possuía sede”, descreve Ribeiro.

Silêncio na corporação
O autor afirma que até 2004, “havia um silêncio na Polícia Militar paulista sobre os problemas referentes à cor, à negritude e ao racismo, tanto na relação com a população afrodescendente, como dentro da própria Instituição, onde a presença negra sempre foi expressiva entre as praças”.

No seu estudo que é abrangente e trás informações interessantes sobre as práticas policiais de abordagem, ele reitera: “É na realização diária da atividade de polícia ostensiva que se manifesta a individualização dos pensamentos do policial e de seus preceitos humanos, ou seja, estando o policial de serviço na viatura, sozinho ou com um companheiro, ele escolhe diretamente a pessoa a ser abordada ou influencia o outro policial a abordar. E nesse contexto a escolha da pessoa a ser abordada recai sobre o negro em qualquer situação, em sutilezas que tomam conta das condutas dos policiais no exercício do policiamento”.

Veja alguns trechos extraídos da tese:

Ser negro e pobre significa ser criminoso
Para o policial, características étnicas próprias e perfil socioeconômico e cultural diferenciados, dada a convivência com a pobreza, favorecem o surgimento de criminosos.

O policial negro não se vê negro
Esta postura atinge também o policial negro, que não se sente negro ao realizar
abordagem em negros, há um encobrimento de sua identidade racial na realização dessa prática social, porque a polícia não ensina nada sobre ser negro. Ao contrário, fazem a gente esquecer isso quando querem mostrar que a polícia não discrimina. A gente faz tudo para não ser o preto da turma, do pelotão, da companhia.

Com este encobrimento, o policial negro não se vê no outro, não consegue colocar-se no lugar do outro e agir de forma diferente na abordagem: sou preto, mas não admito o uso da cor, da raça, para fazer coisa errada. “Neguinho” tem que ser melhor que o branco porque senão vai se dar mal na vida. Mas eu não quero nem saber se é preto ou branco; se é “pra dar mão na cabeça” é todo mundo igual.

Ler também: PM de São Paulo matou 6.416 pessoas em 16 anos

10.5.10

Pessoas não são apenas estatísticas

Este final de semana, um crime bárbaro cometido por policiais militares na cidade de São Paulo traz à tona, de forma dramática, a triste realidade da violência policial no estado que publiquei na última sexta-feira.

As estatísticas mostram de forma fria o verdadeiro extermínio cometido por policiais em São Paulo. Mas, por detrás destes números, há pessoas com nome, sobrenome, idade, pais, mães, filhos e com uma vida que é abreviada da forma mais brutal possível.

Foi o que aconteceu com o motoboy Alexandre Menezes dos Santos, 25 anos, morto em frente à sua casa, no bairro da Cidade Ademar, na madrugada deste sábado. Ele foi espancado por quatro PMs na frente de sua mãe, Maria Aparecida, que assistiu a tudo desesperada e sem nada poder fazer.

Em nota divulgada pela PM, a justificativa para tamanha agressão foi a de que o rapaz transitava na contramão e não atendeu à ordem para parar a moto – recém comprada e que estava sem placa. Quando estacionou em frente de casa, a abordagem dos policiais foi imediata e enérgica. Segundo a nota da PM, a morte foi causada por “uso excessivo de força física”.

Os PMs foram autuados em flagrante acusados de homicídio culposo (sem intenção de matar) e estão recolhidos no Presídio Militar Romão Gomes, à disposição da Justiça.
No mês passado, outro motoboy foi morto pela PM. E o que disse ou fez o Estado? Pediu desculpas à família e pagou uma indenização pela perda.

Não sei exatamente o que traz mais indignação. Qual o preço pela perda de um filho? E as medidas para evitar que esse tipo de ocorrência continue? E não adianta continuar dizendo que a reação da polícia se deve ao maior poder de fogo dos supostos bandidos. Porque a maioria das vítimas são de jovens, estudantes, trabalhadores, pessoas humildes que estão sendo mortas pelo preconceito e pela brutalidade.

O que os tucanos têm a dizer sobre isso? Nada. Calam-se, acovardados e coniventes com essa situação. O que o senhor Geraldo Alckmin pode dizer em sua defesa, ele que governo São Paulo por 8 anos. E o senhor José Serra? É este o tipo de segurança que ele pretende disseminar no país?

7.5.10

PM de São Paulo matou 6.416 pessoas em 16 anos

São Paulo é um estado superlativo. Sua pujança econômica o fez o maior da federação. Contudo, as últimas duas décadas tem sido de decadência econômica e social. As gestões neoliberais do PSDB fizeram de São Paulo o laboratório para a adoção das políticas de privatização, pilhando o Estado em todas as áreas da economia, resultando em crescimento da miséria, exclusão social e também da violência.

O PSDB está à frente do Estado desde a eleição de Mário Covas, em 1994. São 16 anos ininterruptos de governo. Neste longo período, não seria de se esperar um cenário diferente?

Os graves problemas que envolvem a segurança pública em São Paulo, por exemplo, poderiam ter sido enfrentados com investimentos e vontade política. Não que eles teriam sido solucionados, mas certamente não estaríamos vendo manchetes como a que mostra o crescimento da violência policial.

Uma chacina silenciosa
O número de pessoas mortas pela polícia militar do Estado de São Paulo, segundo estatísticas disponibilizadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, é assustador. Foram 6.416 mortos, uma verdadeira chacina. Em 2003, já sob a gestão de Geraldo Alckmin, 868 pessoas morreram pela ação da Polícia. Um triste recorde que envergonha os paulistanos. Este retrato não se alterou na gestão de Serra. Em 2009, 524 pessoas morreram pela ação da PM. (veja tabela abaixo)

O perfil das vítimas – na sua maioria jovens, do sexo masculino, negros e moradores das periferias da cidade – é o retrato do preconceito e da brutalidade de uma corporação despreparada, ou melhor, preparada para matar. Basta ver que o número de mortos supera em muito o número das pessoas feridas em confronto com a PM, que entre 1996 e o primeiro trimestre de 2010 somam 5.122 pessoas.

Fotografia de um estado repressor
Não houve, nos anos do reinado tucano em São Paulo, nenhuma medida para alterar essa situação. O caráter da PM permanece essencialmente o de uma força repressora. Justificar essa situação pelo aumento da violência ou a maior força de fogo dos bandidos como causas destes “eventos” é no mínimo risível.

É preciso colocar um ponto final nessa situação. E isso só será possível alterando a visão política que está à frente do governo paulista. Porque a verdade é que o policial apenas aperta o gatilho, mas o responsável por estar mortes são os governantes que se omitiram, ou até mesmo incentivaram, tamanha violência.

Ano Mortos

1º TRI

2º TRI

TRI

4º TRI total Feridos

1º TRI

2º TRI 3º TRI 4º TRI total
2010 146



82



2009 104 155 120 145 524 95 103 72 81 351
2008 110 110 97 75 392 92 76 63 91 322
2007 72 106 114 99 391 97 94 89 92 372
2006 105 193 125 87 510 83 89 100 111 383
2005 104 54 78 61 297 121 87 94 104 406
2004 165 138 171 149 623 120 105 135 106 466
2003 228 223 178 229 868 133 174 139 148 594
2002 139 95 148 159 541 92 85 107 89 373
2001 95 80 110 100 385 87 89 86 95 357
2000 168 149 90 120 524 80 93 62 63 298
1999 81 63 107 120 371 77 62 72 87 298
1998 97 59 64 79 299 49 111 97 85 342
1997 83 36 60 74 253 74 67 63 71 275
1996 46 55 122 69 292 78 55 67 85 285
Total 6.416



5.122



23.2.10

Dilúvios, loterias e outros acasos do destino

O destino, esse senhor mal-humorado e perverso, nos prega cada peça! É comum ouvir o lamento de quem se queixa dos infortúnios da vida de forma resignada dizendo: se o destino quis assim, fazer o quê? E esse famigerado destino tem vários nomes: São Pedro, Deus, Casa Lotérica…..Depende da situação e do lugar…

Quis o destino ou a leviandade dos donos de uma casa lotérica no Rio Grande do Sul que novos milionários ganhadores do prêmio da mega-sena sejam condenados à miséria. Isso porque o jogo que fizeram não foi registrado e, segundo se especula, o motivo não foi erro, mas sim desvio do dinheiro dos apostadores para engordar o bolso do proprietário da lotérica!!!! Tem azar maior?

Em São Paulo, o destino atende por São Pedro, o senhor do tempo. Segundo comercial que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, está veiculando na televisão, os dilúvios que atingiram a cidade são os responsáveis pelo caos em que os paulistanos se viram mergulhados nos últimos meses. Claro, sem chuvas não há alagamentos. Mas pode haver chuvas sem alagamento também, basta que o município invista em infra-estrutura, projetos de ampliação das áreas verdes para melhorar a permeabilização do solo, piscinões, limpeza urbana, identificação de áreas de risco e ações preventivas para evitar mortes.

Quais desses itens tiveram atenção e tratamento prioritário nas administrações de Serra/Kassab? Não nos esqueçamos que o prefeito da cidade era vice de Serra, que abandonou a prefeitura para virar governador e deixou a cidade na mão de seu pupilo.

chuva

E o governo do Estado? Que atitudes têm tomado para evitar os problemas causados pela estação de chuvas? Acertou quem respondeu nenhuma.
E assim, entram chuvas saem chuvas, a cidade mergulhada no descaso e a culpa é dele, do destino, que trouxe o dilúvio, a tempestade…. Coitado, se for encontrado na rua é capaz de ser linchado o pobre. Enquanto isso, Serra e Kassab passeiam impunes.

8.2.10

FHC defende seu legado e acusa "lulismo" de mentiroso

Em 2004, José Serra foi eleito prefeito de São Paulo. Disse que ia entregar aos paulistanos o melhor de sua energia para cuidar da cidade que tanto ama. Também disse que não estava usando a prefeitura como trampolim político e que cumpriria todo o seu mandato à frente da administração paulistana.

Claro que tudo isso foi conversa para boi dormir. Passados dois anos, lançou-se candidato ao governo do estado e deixou a prefeitura nas mãos do vice, Gilberto Kassab.

O resultado destes cinco anos de administração demo-tucana está em todos os jornais: enchentes, desabamentos, crise no sistema de transporte, propina nas merendas, aumento astronômico das taxas e impostos municipais, rendição à especulação imobiliária e por ai vai.

A mídia já jogou a toalha para o Kassab. Afinal não dá mais para esconder a inépcia de sua administração diante de tanto caos. Mas o governador José Serra mantém-se blindado, a salvo das críticas e das cobranças em torno da sua parcela de responsabilidade com a situação.

Candidato do PSDB e dos conglomerados da mídia à Presidência da República, José Serra é poupado e só aparece em destaque nas situações em que a exposição contribua para o seu projeto eleitoral.

Mesmo que este projeto esteja meio velado, já que o governador de São Paulo ainda não assumiu a candidatura, aguardando o momento ideal para fazê-lo. O problema é que tal momento talvez não se descortine. Dilma cresce nas pesquisas, para o desamparo de Serra, que imaginava esta eleição doce como baba-de-moça.

Nesse contexto, entra no jogo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cumprindo a função de artilharia pesada contra a gestão de Lula à frente do país e desqualificando a candidata ao Planalto. No artigo publicado neste domingo, 07/02, no Estadão, FHC antecipa quais serão os temas principais da campanha: “Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social”, afirmou o ex-presidente.

Em seguida, usa da retórica e manipula dados para desdizer a pecha de neoliberal atribuída ao PSDB, e diz que é mentira que o PSDB não investiu no desenvolvimento e nas áreas sociais. Mesmo assim, ainda defende a quebra do monopólio sobre a Petrobras, contabiliza como vitória a privatização da Telebrás, da Vale e da Embraer.

Ao final, FHC acusa o “lulismo” de ser mentiroso e de descontextualizar o debate sobre o país. Claro, mais um jogo de retórica da oposição. Tal misancene, vinda de um sociólogo que anunciou aos quatro ventos para que o mundo esquecesse tudo o que ele disse antes de assumir a presidência da República, não surpreende.

Nem deverá nos surpreender se, durante a campanha, José Serra em ato desesperado tal qual Geraldo Alckmin, vista um colete com os símbolos das companhias brasileiras para mostrar que o “monstro da privatização é coisa do passado.”

Numa coisa, contudo, FHC está certo: a briga é boa.

1.2.10

Lugar de lixo é na lixeira

Quando assumiu a prefeitura de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab tomou a decisão de deixar como marca de sua administração o programa Cidade Limpa. Varreu os outdoors da cidade, tirou todo tipo de sinalização, impôs regras para as fachadas dos edifícios e casas, e para a distribuição de matéria nas ruas. O alarido foi grande. Até os críticos do programa se dobraram ao “renascimento da cidade”, que com a retirada de placas e de toda a parafernália de divulgação se reapresentou para o cidadão.

sp_lixoOlharam para cima, mas esqueceram de olhar para baixo e ver que, enquanto se tirava o excesso de sinalizações para desvelar a cidade oculta, nas ruas o lixo ia se acumulando.

Ah! outra medida do Cidade Limpa foi a retirada das lixeiras das calçadas. Isso mesmo, aquelas estruturas de ferro que se impunham de forma ultrajante no passeio público, submetendo os transeuntes ao mau-cheiro, à visão desconcertante dos sacos de lixo. Tiraram as lixeiras, e o lixo saiu dela e foi direto para o chão. A solução, não me pareceu muito inteligente.

Já ia me esquecendo de outra medida que marcou o projeto de uma Cidade Limpa. É que ao lado dessas decisões, a prefeitura reduziu os contratos com as empresas de coleta, diminuindo a frequência da retirada dos lixos das ruas. Afinal, para que jogar tanto dinheiro no lixo, pensou o prefeito.

lixo2O resultado dessas medidas administrativas foi que o lixo se acumulou, os bueiros ficaram abarrotados e, com as chuvas de verão – Tchan Tchan Tchan Tchan – apareceram as enchentes.

Ah! mas alguns insistem em apontar a natureza como a responsável pelas enchentes, afinal estamos passando por um regime de chuvas recorde. É o aquecimento global, a ira de São Pedro.

Os que quiserem crer nesse conto da carochinha tudo bem, mas a verdade é que o caos que a cidade de São Paulo está vivendo dia após dia tem responsável, e ele não vive no céu, está bem aqui, na Terra.

Em tempo:
Enquanto isso, a arrecadação da cidade com multas sobe as alturas. Foram somados aos cofres públicos a bagatela de R$ 473,3 milhões. A indústria da multa já gerou de divisas para São Paulo o equivalente ao orçamento de 5,5 mil municípios do país, incluídas nestes 5 capitais. E não é só isso, Kassab aumentou o IPTU e a tarifa de ônibus também.

E onde estão os investimentos em infraestrutura, transporte, projetos urbanísticos para evitar que a população sofra com as enchentes e tantos outros de que a cidade precisa? Então, aonde está o dinheiro? “O gato comeu e ninguém viu!”

As chuvas de São Kassab e a miséria do poder

Fico muito feliz quando pessoas queridas deixam comentários neste blog. Seja para apontar críticas ou reforçar ideias. Afinal, este é um espaço de diálogo. Felipe Maia, doutorando em Ciência Política no Iuperj, deixou comentário na postagem sobre as chuvas e a postura do prefeito Kassab diante do caos em que a cidade mergulhou.

” Lembrei de seus artigos sobre Kassab e a chuva quando li o José de Souza Martins no Estadão. O artigo dele parece ser sobre as chuvas, mas é sobre o poder, e me parece muito bom: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,com-agua-pelo-pescoco,485014,0.htm

De fato, o artigo é excelente, mas discordo do foco escolhido por Martins para tecer considerações sobre os efeitos do poder em governantes. Para isso, o professor da FFLCH da USP compara as posturas de Lula e Kassab diante de situações completamente distintas e sem paralelo, ao meu ver: a ausência do prefeito para ver de perto as enchentes no Jd. Romano e o palavrão usado por Lula no lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida no Maranhão.

O que falta, à análise da liturgia do poder feita por Martins, seria medir situações similares e seus impactos sobre a população e as instituições. Ainda assim, vale a reflexão.

9.12.09

JT: Isso não é o caos, prefeito?

Hoje, recebi em casa junto com os jornais que assino, uma edição do Jornal da Tarde. Não sei se foi engano, ou um brinde, mas fico feliz por ter recebido. Às vezes, nos esquecemos de parar na banca e mergulhar no mundo jornalístico que existe além da Folha e do Estadão.

Fiquei feliz porque a capa do JT de hoje está imperdível. Numa provocação explícita ao prefeito Gilberto Kassab o diário pergunta: Isso não é o caos, prefeito? Do lado direito, uma tarja preta traz as frases do Kassab, que na maior cara-de-pau soltou a pérola: “A cidade está preparada para enfrentar as chuvas”. Pior e mais divertido é ver, logo abaixo: “José Serra, governador de São Paulo (silêncio)”.

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Uma cidade submersa

No lugar de cidade, água. Esta foi a imagem que marcou São Paulo nesta terça-feira (08/12). No rádio, os repórteres alertavam: “não adie, mas sim cancele seus compromissos”. “Evite a cidade”. “Não saia de casa”.

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O retrato da cidade submersa não é um infeliz acaso causado pelo recorde dos índices pluviométricos. Isso é o que o prefeito e o governador dizem para tirar a responsabilidade de suas costas, na tentativa de apagar a falta de investimentos nas obras de infraestrutura para evitar alagamentos; o colapso dos serviços de limpeza pública, que deveriam manter as vias, os bueiros e canais de escoamento de águas limpos.

Na Cidade Limpa de Kassab, o que se viu nesta terça-feira foram toneladas de lixo boiando pelas ruas. O caos tomou conta desta cidade desgovernada.

Enquanto isso, em seu gabinete, o prefeito engenheiro fazia cálculos de como aplicar ainda mais dinheiro público, proveniente do aumento nos valores de IPTU, em publicidade. Afinal, o que vale é divulgar o que foi feito, mesmo que não tenha sido. É muita cara de pau!

Foto extraída da galeria do IG.

8.12.09

Vida e morte na Roosevelt

Eu nasci em 1971 e, bebê ainda, fui morar na Rua Rego Freitas, próximo à Igreja da Consolação. No coração de São Paulo, já tomado por grandes edifícios, o único espaço público para brincar, caminhar e praticar alguma atividade física era o recém inaugurado conjunto arquitetônico da Praça Roosevelt.

Eu amava aquela praça. Criança, nada entendia do desestre urbanístico que ela representava, mas ficava fascinada com suas rampas, o parquinho, o amplo espaço para lazer. Na parte que ladeava a rua Martinho Prado e a Igreja, muitas árvores e banquinhas de flores abafavam o zunido dos carros. Eu subi em muitas árvores ali, corria para cima e para baixo. Minha avó costumava comprar flores naquelas bancas, na época a moda era ter em casa o Bico de Papagaio. Havia, ainda, no centro da praça, um Pão de Açúcar. Era lá que fazíamos as compras.

Na Rua Martinho Prado havia várias lojas, um restaurante chique (era o que a minha mãe sempre me dizia), um brechó que eu adorava visitar e uma papelaria, onde comprei muitas vezes meus cadernos escolares.

Foi na Roosevelt que exercitei meus primeiros passos no patins – primeiro aqueles de ferro que colocávamos sobre o tenis; depois, de tanto azucrinar, consegui subir ao topo do pódio e ganhei um patins de bota da marca Reebok, o mais badalado da época. A rampa de acesso do pavimento inferior à parte de cima da praça era a minha pista de patins. Tomei muitos tombos por ali.

Na parte de cima, a Praça Pentagonal abrigou durante muito tempo uma escola de circo. Eu gostava de passear ali, ver as piruetas dos aprendizes ou ficar sentada em um daqueles bancos de concreto vendo a cidade do alto. Achava lindo.

O outro lado da praça, que faz divisa com a Rua João Guimarães Rosa, era o ponto de encontro de quem estudava no Caetano de Campos. Eu estudei ali em períodos distintos. Em 1979 e depois em 1990. No primeiro período, a praça era como uma extensão da escola. As primeiras paqueras infantis, as primeiras travessuras.

Foi na década de 80 que a praça começou a apresentar os sinais mais graves de deterioração. Antes mesmo já havia muitas goteiras, rachaduras, as luzes não funcionavam. Mas o tempo é implacável e sem manutenção, sem intervenção do poder público a praça começou a morrer. Os muitos cantos e recantos escuros tornaram-se ótimo abrigo para moradores de rua. A falta de policiamento propiciou o aumento de roubos e furtos. Uma escola infantil que funcionava na praça sofreu inúmeras depredações. Aos poucos os comerciantes foram abandonando o local e também as pessoas, as crianças e a Roosevelt foi sepultada à luz do dia.

Na década de 90, quando voltei a morar na Rego Freitas e a estudar no Caetano de Campos a praça era algo sombrio, a ser evitado de dia e de noite. As ruas ao seu redor morreram com ela. Mesmos os cineclubes que ali resistiam ainda acabaram por sucumbir.

Logo em 1991 fui morar na Rua Augusta, há duas quadras da Roosevelt. Uma amiga, na época estudante de arquitetura que divida o apartamento comigo, fez um projeto de estudo sobre a Praça. Ela me dizia que a Roosevelt era um desastre arquitetônico e que já haviam projetos e ideias de mudar o projeto da Praça. Vinte anos se passaram e nada, nada foi feito.

Até que, recentemente, grupos teatrais começaram a ocupar a Rua Martinho Prado, e com seus bares-teatros resgataram um pouco da vida na região, que convive ainda com os esqueletos da Roosevelt.

O episódio envolvendo o dramaturgo Mário Bortolloto ganhou divulgação nos jornais, mas não é o primeiro caso de violência na região. Se, de uma lado, a Roosevelt é vítima do abandono dos espaços públicos, do império do privado como locus de circulação e convivência, do outro Mário Bortolloto é vítima dessa degradação, da ausência do poder público, de segurança e de projetos revitalizantes para a cidade. Enquanto a cidade estiver abandonada, as pessoas continuarão expostas à violência.

Torço pela recuperação de Mário Bortolloto e fico na torcida para que restituam a vida da praça

19.10.09

13 cassados na Câmara Municipal

A Justiça Eleitoral está cassando geral. Nesta segunda (19) o juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloisio Sérgio Rezende Silveira, cassou e declarou inelegíveis por três anos um suplente e 13 vereadores de São Paulo, por captação ilícita de recursos. Todos os cassados fazem parte da base do prefeito Gilberto Kassab.

Foram cassados os vereadores Adilson Amadeu (PTB), Adolfo Quintas Neto (PSDB), Carlos Alberto Apolinário (DEM), Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB), Cláudio Roberto Barbosa de Souza (PSDB), Dalton Silvano do Amaral (PSDB), Domingos Odone Dissei (DEM), Gilson Almeida Barreto (PSDB), Marta Freire da Costa (DEM), Paulo Sérgio Abou Anni (PV), Ricardo Teixeira (PSDB), Ushitaro Kamia (DEM) e Wadih Mutran (PP).

Rigor nas contas e transparência
Os mecanismos de prestação de contas das campanhas eleitorais têm, a cada eleição, incorporado mais instrumentos para garantir a transparência nas doações e coibir irregularidades.

Tanto é, que a primeira providência para qualquer candidato é ter um eficiente tesoureiro que esteja atento às regras. A tarefa é complexa e exige profissionalização por parte das candidaturas.

De outro lado, as pessoas físicas e jurídicas também precisam ter mais atenção ao efetuar doações, uma vez que a identificação de doadores irregulares também configura prática ilegal.

Sem endereço, sem funcionário, mas milionária

É o que motivou a investigação por parte do Ministério Público Estadual no caso dos vereadores paulistanos, apontando que a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) doou irregularmente R$ 10,8 milhões nas últimas eleições.

A entidade não tem funcionários registrados e a sede, na Av. Brigadeiro Luís Antonio, é um escritório fechado, sem expediente de trabalho. Dois anos antes, em 2006, a AIB já havia caído na malha fina da Receita Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por doações irregulares.

Em 2008, somando as doações aos candidatos derrotados e àqueles que concorreram em outras cidades – 44 políticos no total -, A AIB doou um montante que chega a R$ 4,43 milhões. Como a Lei Eleitoral (9.504/97) limita a doação das entidades a 2% de sua receita no ano anterior, a AIB teria de ter arrecadado no mínimo R$ 325 milhões em 2007, se for levado em consideração os valores doados em 2008. Segundo o MPE, a entidade não mostrou ter essa capacidade financeira.

Haja dinheiro ein!

Em tempo: Fiquei muito triste com a notícia do incêncio que destruiu parte considerával das obras de Hélio Oiticica. Uma tragédia que golpeia parte da importante da arte nacional.

21.9.09

Kassab recua depois de declaração atrapalhada

“Existe uma exposição de motivos que as crianças não podem ter uma alimentação superdimensionada. Faz tão mal à saúde comer demais como comer de menos”
Gilberto Kassab

Kassab voltou atrás na decisão de cortar uma das 5 refeições oferecidas nas creches da cidade. Mas, a declaração do prefeito do DEM, para justificar a tentativa, é uma falta de respeito com as crianças que frequentam as creches paulistanas e mostra a falta de preparo, para não falar em descaso, do gestor paulistano.

Basta olhar a composição das 5 refeições. O café da manhã geralmente é um leite ou iogurte acompanhado de bisnaga ou biscoite. O lanche da manhã é uma fruta (laranja, maracujá, uma fatia de melão). O almoço arroz, feijão, uma carne como mistura, legume ou verdura e uma fruta de sobremesa. No lanche da tarde, leite com biscoite e o jantar pode ser uma macarronada ou arroz com frango e legume.

Em que lugar do planeja esse cardápio é comer muito? Talvez no planeta dos demos-tucanos que têm a mesa farta em casa.

Na entrevista que concedeu ontem à Folha, Kassab se enrolou de ponta a ponta. Primeiro negou que tenha havido corte, mas uma redução de carga horária, que caiu de 12 horas para 10 horas. Vale dizer que a redução ocorreu desde o início do ano, mas só agora houve a iniciativa do corte na merenda. Depois, disse que não foi informado da decisão de reduzir os gastos com a merenda.

Após a declaração atrapalhada para justificar a redução, dizendo que comer demais também faz mal, a repórter questionou o prefeito se as crianças estavam com refeições demais. Ai, talvez percebendo a besteira que falara anteriormente, o prefeito disse “Não acredito. Acredito que as refeições são muito bem balanceadas e continuarão sendo”.

17.9.09

Kassab corta a merenda! Crianças estão obesas!

Parece manchete de humor a lá Zé Simão, mas não é. O prefeito Gilberto Kassab reduziu os gastos com a merenda nas creches da cidade e tem nutricionista dizendo que é porque as crianças estão obesas. O Índice de Cara-de-Pau – ICP – está nas alturas!!!

Para o azar dos paulistanos, Kassab tornou-se o prefeito da cidade – em boa parte graças ao eficiente marketing político de sua campanha. Mas, em pouco tempo São Paulo pôde ver que péssimo prefeito é o Kassab. Já falamos disso neste blog ao tratar das AMA´s que ele prometeu e não cumpriu. Já falamos, também, dos escândalos envolvendo a merenda escolar, que agora volta às manchetes depois da prefeitura anunciar um corte de 20% nos gastos com as refeições nas creches.

Corte de gastos
O prefeito contingenciou gastos em quase todas as áreas da administração, usando para tanto o argumento da crise econômica internacional. Cortou gastos nas áreas sociais e tomou decisões que custaram milhões de reais aos cofres da prefeitura e muita dor de cabeça para o paulistano, como no caso da redução dos recursos para coleta de lixo na cidade.

Que lixo!
As ruas estão emporcalhadas. Antes mesmo das chuvas trazerem literalmente à tona o problema do lixo, bastava uma caminhada no centro ou nos bairros mais pobres da cidade para ver os efeitos da falta de higiene do prefeito do DEM. Com as chuvas, esse lixo todo entupiu as já saturadas galerias pluviais e boom, São Paulo encheu como um bote furado no meio do oceano.

O pior, é ver como o Índice de Cara-de-Pau dos demos-tucanos não têm limite. O governador José Serra descaradamente disse que os estragos provocados pelas chuvas na cidade eram responsabilidade de São Pedro. É o fim da picada!

Café da manhã ou jantar?
Agora, Kassab corta os custos com a alimentação das crianças. Segundo reportagem da Folha, cerca de 60 mil crianças vão ter uma refeição a menos no período de 10 horas que permanecem nas creches. Vejam o absurdo: os pais receberam um formulário para decidir se o filho deveria ficar sem o café da manhã ou sem o jantar.

Afinal, deve pensar o prefeito, estão reclamando de barriga cheia. A criança pobre sai de casa 6:30 horas, chega na creche às 7:30 horas e vai comer um pãozinho com manteiga lá pelas 9 horas. Está mais do que bom.

A diretora de uma creche da zona oeste da cidade foi procurar uma nutricionista da empresa terceirizada responsável pela merenda na sua unidade para pedir esclarecimentos sobre a medida. Imagina qual não foi a surpresa dela ao ouvir da profissional de saúde a explicação de que o corte fora feito por que as crianças estavam obesas!!!! É muita cara-de-pau!

14.9.09

Serra tem 24 horas para convocar a confecom

A disputa em torno da 1ª Conferência Nacional de Comunicação está acirrada. De um lado os empresários reúnem toda a sua força de pressão sobre os governos para protelar a sua realização, impedir discussões estruturantes, limitar a participação da sociedade no debate e por ai vai.

De outro, os movimentos sociais não arredam o pé e mantém a mobilização em todo o país, garantindo a realização das etapas locais da conferência, buscando ampliar ao máximo o alcance desse debate tão estratégico para o avanço da democracia em nosso país.

Aqui em São Paulo, o governo estadual - mergulhado até o último fio de cabelo nos compromissos com a mídia hegemônica – tem ignorado os vários pedidos de audiência feitos pela Comissão Paulista Pró-Conferência de Comunicação, endossados por mais de sessenta entidades do movimento social.

Procurados desde o final de abril, governo municipal e estadual têm adotado a política descarada da enrolação. E, até o momento não sabemos se será ou não publicado o edital convocando a etapa estadual. Vale lembrar que o prazo final para que os governos estaduais convoquem suas conferências expira em 15 de setembro.

Serra, que é o “acionista” majoritário de boa parte dos veículos de comunicação com sede em São Paulo (recentemente injetou quase 76 milhões de reais nestas empresas), até o momento está se fazendo de cego, surdo e mudo. Imagine a que interesses o governador está se curvando para não convocar a etapa paulista.

São Paulo não pode ficar de fora deste debate, queira o governador ou não. Temos que garantir a realização da conferência estadual. Conforme chamamento da Comissão Paulista Pró-Conferência, já encampada por vários companheiros, como o jornalista Renato Rovai, temos que engrossar a pressão pela realização da etapa paulista.

O que fazer para ajudar na pressão pela realização da Etapa Paulista da 1ª Conferência de Comunicação:
1) Envie mensagens para a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado – http://www.comunicacao.sp.gov.br/sis/fale.php
2) Envie twittes para @governosp e para @joseserra_
3) Faça contato com os deputados estaduais pedindo apoio para a realização da Conferência. Você encontra os contatos dos deputados no site da Assembleia: http://www.al.sp.gov.br/portal/site/Internet/