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29.5.07

O Homem placa

Profissão antiga, o Homem Placa costumava freqüentar as ruas do Centro de São Paulo. Sobre o corpo, uma 'jaqueta' de madeira informava vagas de emprego - Procura-se - ou indicava negócios de fazer dinheiro aos desesperados - OURO: Compra-se e Vende-se.

Na década de 80, quanda caminhava com a minha avó pela rua Direita, ficava impressionada com aqueles Homens Placas, na chuva e no sol, trabalhadores de uma ocupação árdua e cansativa.

No início do século XXI, eles foram diminuindo, assim como foram diminuindo as agências de emprego, substituidas por empresas de colocação no mercado de trabalho via internet. Os poucos exemplares dos Homens Placas que ainda se encontram pelo Centro são mais modernos, já vestem 'jaquetas' de outros materiais - um plástico grosso, lona, ou coisa do tipo - anunciando o velho negócio do OURO - Compra e Venda.

Mas qual não foi a minha surpresa quando, indo para o trabalho numa dessas manhã, confortável em meu Pálio, na Av. Brasil, avisto uma variação da espécie dos Homem Placa. Este vestia uma 'jaqueta' de papel ou papelão, escrita com caneta piloto preta, a mão, algo mais ou menos assim: Sou fulano de tal, aceito qualquer emprego de Administrador de Empresas a motorista particular. Preciso de trabalho.

Solitário, no canteiro central da Av. Brasil, bem vestido em terno escuro, além da jaqueta de papel fazendo o seu próprio anúncio, o Homem Placa segurava uma pasta de executivo. Foi uma fração de segundos, já que o sinal estava aberto e não pude parar. Dias depois, na Av. Paulista, também no canteiro central, outro Homem Placa fazia a sua propaganda de trabalhador procurando um emprego, qualquer que fosse.

Não sei dizer se essa é mais uma daquelas manifestações que surgem na cidade, para chocar o povo e chamar a atenção, como a onda do Abraço que tomou com da Paulista, ou se aqueles eram homens, de nível superior, por volta dos seus 35 - 40 anos, alijados do mercado de trabalho e que, nessa situação, se viram forçados a se transformarem em Homens Placas.

23.5.07

O Frio

Com tantos estudos sobre as conseqüências do Aquecimento Global - Global Warming para ficar mais globalizada - achei que o inverno deixaria de existir e o friozinho aconchegante do meio de ano me deixaria órfã. Ainda estamos em Maio - é verdade - mas o outono das cores vivas já costumava trazer aquele frescor sentido no cair das tardes.

Muitos lançam pragas e pragas contra o frio, mas eu gosto. Adoro aquela sopinha de noite, um chá bem quente, o charme das roupas de lã, o vidro embaçado pela diferença de temperatura.

Além do que, o frio combina muitíssimo com São Paulo. Os cariocas, pernambucanos, baianos e colegas de outras paradas vão logo se aproveitar dessa frase para dizer que é mesmo, combina com a indiferença paulistana, com a impessoalidade, o individualismo. Pode ser - não vou negar que uma metrópole como São Paulo tenha boas doses dessas coisas.

Mas tem muitas outras boas doses de coisas positivas, gente humilde e solidária, bonachona, que se reúne para tomar, mesmo no frio, aquela cervejinha gelada, ou o vinho-quente das festas juninas que pipocam pela cidade nessa época do ano - Querupita, São Vito.

Que venha o inverno!!! Que venha a garoa paulistana!

7.5.07

Curtas como o tempo

O tempo anda curto. As horas correm e escorrem pelos dedos e o resultado do ritmo frenético dos tempos modernos é o acumulo das coisas que ficam por fazer e, consequentemente, menos tempo para registrar nesse espaço algumas reflexões.
Desculpas a parte, vamos rapidamente às rapinhas da semana.

1- Aplausos à coragem e determinação do governo brasileiro que tomou a decisão inédita no país de permitir a produção de um medicamente que está sob patente. O licenciamento compulsório do Efavirenz reune vários aspectos dignos de nota: enfrenta o poder econômico das multinacionais farmacêuticas, atende à uma necessidade urgente para garantir e ampliar o atendimento do Programa Nacional de DST-Aids, reduz os gastos com a compra de um medicamento vendido a preços abusivos e permite reabrirmos o debate sobre questões como a Lei de Patentes em vigor no país, a urgência de investimentos públicos e privados para estimular a pesquisa e a produção de medicamentos nacionais.

2- Vaias para a PM paulista! Mais uma vez a Política Militar demonstra a sua face autoritária e truculenta. Durante a Virada Cultural de São Paulo baixou o cacetete contra jovens, homens e mulheres que participavam da maratona cultural paulistana. Não só o cacetete, mas tiros de bala de borracha, bombas de efeito moral. O governador José Serra ainda elogia a PM. É o fim da picada mesmo!

3- A semana é papal. Não se fala em outra coisa, ainda mais por essas plagas que vão receber o papamóvel, o papa avião, o papa tudo. Bento 16 vem fazer sua política religiosa por aqui, de olho em aglutinar mais o seu rebanho que anda meio desgarrado.

4- E segue a descarada campanha da Globo contra a Classificação Indicativa. No esteio da polêmica que cerca o recolhimento da biografia não autorizada de Roberto Carlos, a emissora evoca a luta contra a Censura que ronda perigosamente o Brasil, segundo as manifestações de alguns dos entrevistados pelo Fantástico deste domingo, entre os quais o mago Paulo Coelho. Embalada como drops nesse debate aparece como outro exemplo para reiterar o perigo da Censura a Classificação Indicativa. É muita pouca vergonha.

15.3.07

Educação dos tucanos é reprovada

Já faz pelo menos 12 anos que os movimentos sociais denunciam as consequências desastrosas da política educacional implantada pelo PSDB no Estado de São Paulo.
Foram dezenas de seminários, manifestações de rua, debates, livros analisando os equivocos da Aprovação Automática - como foi batizada pelas entidades a Progressão Continuada. O único objetivo de fato que o governo perseguia ao implementar essa política era reduzir os índices de repetência e evasão escolar, maquiando os dados educacionais e dando uma falsa impressão de melhoria do ensino público paulista.
Mas o que aconteceu foi o inverso. A qualidade baixou, crianças e adolescentes eram promovidos de uma série para outra sem o domínio mínimo de ferramentas básicas como ler e escrever.
A mídia relutou em mostrar essa realidade. Vez ou outra, viu-se na impossibilidade de esconder do noticiário o descalabro de crianças semi-analfabetas chegando à 8ª série do Ensino Fundamental. Mas o fato nunca era atribuido à falência do modelo educacional tucano.
Agora, com os resultados do Enem, não foi mais possível ignorar essa triste realidade. E diante do escandalo, tucanos se bicam para ver quem sobrevive.

Folha: não dá para ler!
Um dos principais porta-vozes do PSDB no Estado, o jornal Folha de S. Paulo, foi obrigado a se render e assinar Editorial no qual mostra o descalabro tucano na educação. E, numa notinha de rodapé, registra que o TRE retirou o nome da empresa da lista dos doadores para a campanha de Paulo Renato de Souza, ex-ministro da Educação de FHC. Alguém acredita que o jornal não fez abertamente a campanha de um dos principais artífices da política educacional dos tucanos? Basta lembrar o número de artigos assinados por Paulo Renato na sessão Tendências e Debates daquele folhetim.... Deu dinheiro.... isso é o de menos, o fato é que durante 12 anos se calou e corroborou com essa política educacional.
E você, ainda acha que não dá para deixar de ler a Folha?

18.7.06

A semana

O nome é alemão, mas o crime é genuinamente nacional. Não aguento mais ouvir falar no "Caso von Richthofen". Pois é, nome difícil, mas de tanto ser martelado na nossa cabeça até gago já manda - o o o o ca ca ca so von Richthofen. Não é para ser engraçado - e para ser dramático.

Existe uma eleição presidencial acontecendo neste exato momento no Brasil, e a imprensa apenas alardeia juris, e outras tantas manchetes popularescas. No rádio, a CBN foi o dia todo a mesma lenga-lenga requentada, amassada, virada do avesso e de todos os lados para ver se espremia de algum jeito alguma notícia, nem que fosse uma única palavra, que pudesse ser novidade neste caso.

No futebol, voltamos ao arroz com feijão do brasileirão - que anda bem saboroso com o Tricolor em primeiro. A Libertadores será a grande tensão desta quarta-feira. É ganhar ou morrer.

Fora isso, um cineminha de vez em quando né, que ninguém é de ferro. A dica é o belíssimo Elza e Fred, de Marcos Carnavale. O filme é uma co-produção entre Argentina e Espanha e mostra com bom-humor, sensibilidade e elegância uma história de amor entre os personagens já octagenários. Toda essa badalação em torno do cinema argentino não é sem razão. Eles estão em alta e a todo vapor.

4.4.06

Janela sobre a Indignação 2

Todos os dias atravesso os 20 km da rodovia Raposo Tavares que separam a minha casa da cidade de São Paulo. Procuro, sempre que dá, fugir dos horários de pico. Nas terças-feiras isso não é possível e, então, enfrento o congestionamento daqueles que optaram por morar no 'campo' e trabalhar na 'cidade'. Sem reclamar, porque eu me incluo entre os que fizeram essa opção e, por mais que muitos amigos me chamem de louca, acho que vale muitíssimo a pena e, inclusive, indico.
Na verdade, o trânsito até que não me encomoda tanto - logo de manhã, procuro encarar esse tempo 'ocioso' de uma maneira 'produtiva'. As vezes curtindo um CD, na maioria escutando o noticiário que, como costuma dizer meu ex - um dos sinais de que você está ficando velho é deixar de ouvir música para ouvir a CBN.
Hoje não foi diferente. Mas, já perto de São Paulo e tendo ouvido todas as notícias - que começavam a se repetir, mudei para a música. Quando, uma confusão alguns metros adiante anunciava mais um acidente na Rodovia. E, como na maioria deles, envolvendo um motoqueiro.
Lá estava o corpo estendido no chão, literalmente, a mulher que dirigia o carro ao lado, desesperada, vários motoqueiros em volta, do atropelamento que deveria ter acontecido bem naquele instante.
Confesso que fiquei abalada com aquilo. Principalmente com o prosseguimento do fluxo, as pessoas nos carros ao lado continuando suas rotinas, ouvindo músicas em altos volumes, outros motoqueiros arriscando suas vidas no zigue-zague entre os carros.
Desliguei o som. Fiquei impressionada como a gente, todos nós, desenvolvemos mecanismos de ver o padecimento alheio, a miséria, e todas as distorções produzidas pela nossa sociedade e ficarmos imunes, indiferentes. Como diria Brecht, estamos perdendo a capacidade de nos indignar.

16.3.06

Chuchu ou Jiló?

O Chuchu é mundialmente (um exagero) conhecido como uma leguminosa que não tem gosto de nada. Se é assim, o apelido dado ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, significaria que Alckmin é pessoa que não fede, nem cheira, segundo o ditado popular, ou seja, não faz diferença, não é notado, não tem relevância.
Ledo engano.
Conversando com um amigo hoje pela manhã, prosa rápida, ele falou sobre o jiló, que por ser mundialmente (outro exagero) conhecido por seu sabor amargo, é repudiado pela grande maioria das pessoas. Eu, particularmente, também como o meu amigo, acho isso uma injustiça. Porque o Jiló é uma iguaria das mais saborosas da culinária brasileira. Fritinho com maizena (para não reter a gordura) em fatias bem finas é um tira-gosto bárbaro para acompanhar uma cervejinha gelada.
Bom, voltando ao Alckmin. Apesar de adorar o jiló, acho mesmo que ele se presta melhor ao papel de caracterizar o candidato tucano. Alckmin representa o que há de mais atrasado e conservador na política nacional. Seu discurso de gerentão, ligado aos vatícinios da Opus Dei, deverá aglutinar na campanha eleitoral os setores mais reacionários do país.
Neste espaço de idéias, opiniões e indignação você vai encontrar, daqui para frente, uma decidida opositora de Alckmin. Parte da grande imprensa pode tê-lo poupado nos últimos anos. Aqui não o farei. Se a imprensa não mostra, a gente espalha. Quem acha que Alckmin fez um bom governo, vai se admirar com o que vamos mostrar daqui para frente.
E não deixe de experimentar o Jiló, ok! Depois me fala o que achou.

3.3.06

Cuidado para não queimar a língua

Talvez muitos tenham ficado surpresos com os dados divulgados pela pesquisa do Ibope nesta quinta-feira, 02/03. Não deveriam. Não é nenhuma esquisitice do eleitorado paulista colocar a ex-prefeita de São Paulo e petista Marta Suplicy à frente na disputa para o governo do Estado.

Os que querem fazer disso uma coisa inusitada são os mesmos que, há mais de 8 meses, voltaram toda a sua artilharia para acabar com o governo Lula e ainda mais, com a possibilidade de haver neste país governos de perfis democráticos e populares. Esse desejo foi expresso por um dos porta-vozes desses setores, o senador do PFL Jorge Bornhausen, que chegou a dizer em alto e bom som que o Brasil iria ficar “livre dessa raça”.

Então vejamos qual é o contexto da disputa eleitoral para o governo de São Paulo hoje, no momento do anúncio da pesquisa Ibope. O PSDB, partido que vai completar no final do ano 12 anos consecutivos no governo paulista, está em meio a uma crise nacional, cujo centro é a disputa para decidir quem será o candidato à Presidência da República. Essa disputa envolve 2 postulantes paulistas, Alckmin e Serra. Desta forma, as outras candidaturas estão subordinadas a esta definição principal. Além disso, o PSDB paulista carece de lideranças públicas fortes, com apelo eleitoral, capazes de capitalizar a aprovação da qual o atual governo goza. Os nomes tucanos cogitados até o momento são inexpressivos e desconhecidos do eleitorado, como José Aníbal, que na pesquisa aparece com apenas 5% das intenções de voto.

O PMDB aparece postulando a posição de terceira via. O principal nome é o do ex-governador Orestes Quércia, que aparece em segundo lugar na pesquisa com 20% das intenções de voto, mas que tem grande rejeição no Estado. Também, aqui, a definição de qual postura o PMDB irá adotar para a disputa nacional terá reflexos.

Nesse cenário, a maior liderança paulista é de fato Marta Suplicy, com 26% das intenções de voto, segundo o IBOPE. Vale lembrar que Marta perdeu a reeleição para Serra por uma pequena margem. A ex-prefeita teve 45% dos votos, demonstrando elevada aprovação e grande capital político. Sua gestão foi fortemente marcada por ter priorizado as áreas mais carentes da cidade e projetos voltados para a população trabalhadora, na área de transporte público, educação, habitação e outros.

Outro fator que contribui, de forma determinante, para o resultado da pesquisa, é o bom desempenho do governo Lula e a ampliação de sua aprovação, que também pode ser constatada na pesquisa Ibope, ao mostrar que na capital, Lula praticamente empata com o prefeito José Serra nas intenções de voto.

Ou seja, vamos com calma que o Santo é de barro. Os que se apressaram em prognosticar o fim da esquerda e a inevitável volta do tucanato à presidência devem colocar a barba de molho. O governo Lula tem muito para mostrar, e ainda tem, é certo, muito a fazer
.

14.2.06

Uma janela para expressar uma indignação!

Convido você para fazer um exercício comigo. Imagine uma aula de interpretação de texto. A professora, ou professor apresenta o seguinte texto para análise:

Biblioteca Mário de Andrade espera reforma
Todos os dias úteis, a partir das 9h, um grupo de cerca de dez sem-teto entra no complexo art déco da praça Dom José Gaspar, ao lado da avenida São Luís, para cuidar da higiene pessoal e passar o tempo lendo dicionários e revistas. Um ou dois chegam a pegar livros. Não se trata de instalações de algum albergue municipal, e sim do complexo da Biblioteca Mário de Andrade, a segunda maior do Brasil (perde em número de obras apenas para a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).A imagem serve de emblema para a situação da Mário de Andrade, acervo de mais de 3 milhões de itens, entre livros, jornais, postais, revistas e moedas, hoje abandonada pela maioria dos pesquisadores, trocada por bibliotecas universitárias mais bem estruturadas.Para começar a reverter a situação e trazer de volta os estudiosos, a prefeitura enviou um projeto de reforma da Mário de Andrade para os órgãos municipal e estadual de proteção do patrimônio histórico, o Conpresp e o Condephaat.Assim que eles aprovarem, afirma o diretor da Mário de Andrade, Luís Francisco Carvalho Filho, R$ 12 milhões serão investidos no conserto das infiltrações de água que umedecem perigosamente o prédio assim que começa a chover, na derrubada das grades verdes que cercam toda a edificação (impossível não pensar num presídio), na construção de rampas de acesso para deficientes físicos, na adaptação de uma sala para cibercafé e internet livre. O dinheiro também será usado para construir um imenso móvel na hoje chamada sala de leitura e que abrigará todo o acervo circulante, móveis e mesas para consulentes.

O texto em tela é a parte inicial de uma notícia veiculada pelo Jornal Folha de S.Paulo de 14/02/2006.
Não o reproduzo na integra, porque após esse parágrafo a notícia traz declarações de técnicos sobre as condições das instalações e dados das relíquias que fazem parte do Acervo da Biblioteca, sendo o fragmento inicial suficiente para fazermos a interpretação do texto.
O raciocínio desenvolvido pelo jornal, ou pelos repórteres que assinam a matéria (Laura Capriglione e Luísa Brito) mostra o pensamento elitista, preconceituoso e conservador que este veículo e parte considerável da sociedade infelizmente ainda possui.
Veja só o absurdo, a inversão de valores que a notícia da Folha propõe: Quer dizer que a imagem que revela o abandono da maior Biblioteca da América Latina é a de alguns sem-teto freqüentarem suas instalações para passar o tempo lendo dicionários e revistas e alguns até chegarem (vejam bem que abuso) a retira livros do acervo circulante? Essa é a demonstração de que o poder público largou às traças livros impressos antes do descobrimento do Brasil e desenhos de originais de pintores como Rugendas?
Claro, na visão da elite nacional uma Biblioteca é o espaço reservado por excelência para os Iluminados (no sentido histórico do termo) e, portanto, o abandono de um acervo deve ser medido pelo extrato social e cultural dos que o visitam.
Recuperar a Biblioteca Municipal Mário de Andrade é uma tarefa que tem o objetivo não de preservar as raridades, mas “trazer de volta os estudiosos”, como os autores fazem questão de destacar.
Então, presumo que após a reforma e recuperação do patrimônio público em questão, que vai permitir o retorno dos pesquisadores, os sem-teto, que “passam o tempo” lendo dicionários e revistas – que talvez na visão dos repórteres inclusive não sejam compreensíveis para eles – não terão mais espaço na Mário de Andrade.
É lamentável saber que um veículo como a Folha de S.Paulo, que por sua história e poder construiu uma influência inegável na formação de opinião de parcela importante da sociedade paulista, difunda esse tipo de visão que exclui, condena, marginaliza.
A Folha estaria fazendo um jornalismo muito melhor se tivesse optado, por exemplo, por fazer uma reportagem sobre essas pessoas que, mesmo estando em condições sociais de exclusão, sem moradia, emprego, educação, ainda procuram superar a ignorância visitando uma Biblioteca para “passar o tempo”, e têm a ousadia de ler um livro. Esta sim seria uma pauta interessante, mas talvez socialmente comprometida demais para um veículo como a Folha de São Paulo.