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20.8.09

Proibir agora é legal!

Na década de 60, o lema É Proibido Proibir embalou a juventude e a sociedade na luta contra as ditaduras e em defesa das liberdades democráticas.

Passados quase 50 anos, a patrulha conservadora sobre o outro e toda a sorte de proibições reaparecem travestidas da defesa dos interesses gerais da sociedade. O avanço do politicamente correto se desloca das necessárias boas práticas de convívio e de respeito nas relações interpessoais e impregna as artes, as expressões culturais e o direito individual.

É proibido fumar; é proibido todo tipo de propaganda visual na cidade como outdoors, faixas e luminosos; estão proibidas as barracas de lanches nas cercanias dos estádios de futebol; é proibido beber; é proibido circular carros nos horários de pico; é proibido a circulação de ônibus fretado.

Isso mostra como o Estado democrático pode ser tão repressor como o Estado autoritário. O que muda, talvez, é a forma. Em sua coluna semanal, Marcelo Coelho abordou certeiramente o tema, mostrando como o valor das atitudes proibitivas ganhou relevância na esfera pública como elemento propulsor de candidaturas, ocupando o espaço que antes era das grandes obras e realizações. “Não importa. Minha impressão é que, depois do "rouba, mas faz", e do espetáculo parlamentar do "rouba e não faz nada", cria-se uma nova forma de legitimação política para os governantes. Governante bom é aquele que proíbe as coisas”, observa.

Essa escalada repressiva que está em curso com a concordância plasmada da sociedade preocupa tanto pelo que representa simbolicamente, quanto pelo alcance que pode ter. A proibição está ocupando o lugar da educação, da formação, das noções de cidadania. É o retorno da máxima – os fins justificam os meios. Será?