Seis horas da tarde. Aos poucos começam a chegar as atrações do dia. Vão ocupando os espaços laterais da quadra, ainda vazia. Todos se cumprimentam, mas o ‘boa-tarde’ tem mais significado de boa-sorte, vamos lá!
Dos cabides e sacolas vão surgindo as cores: amarelo, vermelho, azul, verde, laranja, branco, preto. Os últimos passos da coreografia são ensaiados por um grupo de senhoras de cabelos brancos, que carregam em seus ombros a responsabilidade de brilhar. Mas para quem já percorreu grande parte da vida superando dificuldades e obstáculos, o que está para vir é um desafio diferente, ele tem o sabor da alegria.
Não há como sentir-se estrangeiro naquele grupo. A comunidade te acolhe como se você fosse parte dela. E nela cabem todas as raças, religiões, extratos sociais, sexos, idades. Por algumas horas em um dia do ano todos são iguais, todos estão lutando pelo mesmo objetivo, brilhar na avenida, defender sua escola.
Na concentração você se torna outro. Não é mais um indivíduo, você é um integrante. E tem que ter garra, dançar, cantar, vibrar, sorrir. O corpo estremece, não é o peso do esplendor nos ombros, é o peso de “50 anos de glória, que contam a história de tão lindos carnavais”.
O som da bateria ecoa forte, cadenciado; o compasso do coração acompanha o tempo de marcação do surdo, os pés se agitam ao som dos tamborins e das cuícas. E lá está você, não você, lá está a Peruche, passando no sambódromo, arquibancadas lotadas, o povo em pé aplaudindo a escola, que evolui. São 20 minutos para você, para escola 65. Tudo foi bem.
Contagiados com a festa espalhada pele avenida, a comunidade Peruche e cada um que esteve ali, no chão, se entreolham, cumprimentam, agradecem; muitos choram, o coração a mil e o sentimento de que juntos, ali, fizemos mais um lindo carnaval.
27.2.06
21.2.06
Eu me rendo ao Vertigo
Foi do sofá que assisti à apresentação do U2 no glorioso Estádio do Morumbi. Aliás, percebo que dos quatro textos publicados neste Espaço, três surgiram no sofá lá de casa. Sinal que estou precisando sair mais.
Fui ao show de 98, também no glorioso campo tricolor. Era tanta gente, tanta, que uma pessoa como eu, 1 metro e meio, naquela pista próxima ao palco, não conseguia enxergar nada, nem telão.
Saí do show – de 98 – com um gostinho de que faltou alguma coisa. No palco daquele ano, uma banda mais introspectiva, sem aquela pegada do U2 que eu esperava ver.
De casa, em 2006, ao fim do show fiquei com um gostinho de quero mais. Quem enfrentou o caos para comprar os ingressos deve ter se sentido mais que recompensado. No palco, uma banda vigorosa, vertiginosa, que interagiu com o público em todos os momentos do show.
No set list, clássicos que não podem faltar. O lado B, para os fãs que vão além dos hits de rádio, podia ter sido um pouco melhor. The Fly eletrizou a todos, inclusive eu que acanhada no sofá achei que seria ridículo nos meus trinta e poucos ficar dançando sozinha na frente da TV.
No fim, que fim, um solo de batera e 70 mil pessoas num coro. Primeiro saiu a voz, Bono. Depois saiu a alma, o baixo Adam Clayton, em seguida, The Edge , para deixar sozinho no palco Larry Mullen. Sentado em sua batera, Larry ouve por instantes o som dos fãs e resolve acompanhar o coro, num solo de bateria. Incrível do sofá, imagine para quem foi mesmo.
Fui ao show de 98, também no glorioso campo tricolor. Era tanta gente, tanta, que uma pessoa como eu, 1 metro e meio, naquela pista próxima ao palco, não conseguia enxergar nada, nem telão.
Saí do show – de 98 – com um gostinho de que faltou alguma coisa. No palco daquele ano, uma banda mais introspectiva, sem aquela pegada do U2 que eu esperava ver.
De casa, em 2006, ao fim do show fiquei com um gostinho de quero mais. Quem enfrentou o caos para comprar os ingressos deve ter se sentido mais que recompensado. No palco, uma banda vigorosa, vertiginosa, que interagiu com o público em todos os momentos do show.
No set list, clássicos que não podem faltar. O lado B, para os fãs que vão além dos hits de rádio, podia ter sido um pouco melhor. The Fly eletrizou a todos, inclusive eu que acanhada no sofá achei que seria ridículo nos meus trinta e poucos ficar dançando sozinha na frente da TV.
No fim, que fim, um solo de batera e 70 mil pessoas num coro. Primeiro saiu a voz, Bono. Depois saiu a alma, o baixo Adam Clayton, em seguida, The Edge , para deixar sozinho no palco Larry Mullen. Sentado em sua batera, Larry ouve por instantes o som dos fãs e resolve acompanhar o coro, num solo de bateria. Incrível do sofá, imagine para quem foi mesmo.
19.2.06
Controle Remoto – do sofá para o mundo
Tenho acompanhado, seja por exigência profissional, seja por interesse político, o debate que se desenvolve no país acerca da introdução da TV digital no Brasil, e qual padrão tecnológico deve ser adotado para sua transmissão.
Infelizmente, essa discussão ocupa pequeno espaço institucional e midiático, reduzindo-se a alguns poucos artigos, editoriais e veículos especializados e, em certa medida, a responsabilidade disso é da própria mídia, que reduziu um debate de tanta importância ao seu aspecto técnico.
Fico pensando na minha mãe, uma mulher aposentada, cinqüenta e poucos anos, nível superior, bem informada, devoradora de livros dos mais diversos estilos, preocupada em entender se devemos adotar o padrão japonês, ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting - Terrestrial); europeu, DVB-T (Digital Video Broadcasting - Terrestrial); ou americano, ATSC (Advanced Television Systems Committee).
Pautar o tema sob essa ótica tem o objetivo justamente de afastar pessoas como a minha mãe do principal aspecto que envolve a introdução da TV Digital no país, que é o da democratização da informação, o da inclusão digital. Manter a discussão no seu nível técnico é o interesse dos grandes grupos de comunicação que estão de olho no melhor caminho para aumentar a sua já gorda fatia do mercado.
O que todos deveríamos estar discutindo é como fazer com que a adoção de um novo padrão de transmissão, que vai trazer mais interatividade, agregar serviços como o acesso à internet, aumentar a qualidade de imagem e som, pode também contribuir para desconcentrar a produção de conteúdos, e discutir os próprios conteúdos em si.
Opa, péra ai, você está querendo discutir os conteúdos, mas isso é censura, vão dizer muitos. Eu respondo, pode até ser, e daí?
Eu não admito me colocar na condição de receptora passiva de um veículo tão poderoso como a TV e que em seus canais abertos, via de regra (já que toda regra tem exceções) bestificam, banalizam e ridicularizam seus expectadores.
Alguns vão dizer, basta você mudar de canal e não assistir a esses programas. Só quem quer vê, e se existem os Big Brother, os programas vespertinos de sábado e domingo – todos sem exceção neste caso – é porque tem quem goste.
Lastimável pensamento de quem não consegue superar o senso comum, de quem automaticamente e até inconscientemente divide a sociedade entre letrados e ignorantes – os primeiros com a capacidade de procurar canais e programas de melhor qualidade, os segundo uma massa ignara e acomodada.
Espera-se que a TV Digital multiplique por 10 o número de canais existentes. Estou falando aqui dos canais abertos, porque o debate gira em torno do Modelo de Televisão Digital Terrestre Aberta, incluindo-se a recepção através das antenas parabólicas convencionais.
Sem dúvida a mudança do sistema vai abrir inúmeras possibilidades, vejam bem possibilidades, de desconcentração da propriedade, da produção de conteúdos. Por isso, ou focamos o debate nesse aspecto, ou teremos multiplicado por 10 os programas do Gugu, do Raul Gil e tantos outros.
Infelizmente, essa discussão ocupa pequeno espaço institucional e midiático, reduzindo-se a alguns poucos artigos, editoriais e veículos especializados e, em certa medida, a responsabilidade disso é da própria mídia, que reduziu um debate de tanta importância ao seu aspecto técnico.
Fico pensando na minha mãe, uma mulher aposentada, cinqüenta e poucos anos, nível superior, bem informada, devoradora de livros dos mais diversos estilos, preocupada em entender se devemos adotar o padrão japonês, ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting - Terrestrial); europeu, DVB-T (Digital Video Broadcasting - Terrestrial); ou americano, ATSC (Advanced Television Systems Committee).
Pautar o tema sob essa ótica tem o objetivo justamente de afastar pessoas como a minha mãe do principal aspecto que envolve a introdução da TV Digital no país, que é o da democratização da informação, o da inclusão digital. Manter a discussão no seu nível técnico é o interesse dos grandes grupos de comunicação que estão de olho no melhor caminho para aumentar a sua já gorda fatia do mercado.
O que todos deveríamos estar discutindo é como fazer com que a adoção de um novo padrão de transmissão, que vai trazer mais interatividade, agregar serviços como o acesso à internet, aumentar a qualidade de imagem e som, pode também contribuir para desconcentrar a produção de conteúdos, e discutir os próprios conteúdos em si.
Opa, péra ai, você está querendo discutir os conteúdos, mas isso é censura, vão dizer muitos. Eu respondo, pode até ser, e daí?
Eu não admito me colocar na condição de receptora passiva de um veículo tão poderoso como a TV e que em seus canais abertos, via de regra (já que toda regra tem exceções) bestificam, banalizam e ridicularizam seus expectadores.
Alguns vão dizer, basta você mudar de canal e não assistir a esses programas. Só quem quer vê, e se existem os Big Brother, os programas vespertinos de sábado e domingo – todos sem exceção neste caso – é porque tem quem goste.
Lastimável pensamento de quem não consegue superar o senso comum, de quem automaticamente e até inconscientemente divide a sociedade entre letrados e ignorantes – os primeiros com a capacidade de procurar canais e programas de melhor qualidade, os segundo uma massa ignara e acomodada.
Espera-se que a TV Digital multiplique por 10 o número de canais existentes. Estou falando aqui dos canais abertos, porque o debate gira em torno do Modelo de Televisão Digital Terrestre Aberta, incluindo-se a recepção através das antenas parabólicas convencionais.
Sem dúvida a mudança do sistema vai abrir inúmeras possibilidades, vejam bem possibilidades, de desconcentração da propriedade, da produção de conteúdos. Por isso, ou focamos o debate nesse aspecto, ou teremos multiplicado por 10 os programas do Gugu, do Raul Gil e tantos outros.
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