Eu li a chamada na capa do uol, mas não acreditei. Estaria mesmo certa? Fiquei instigada e cliquei para conferir: Mulheres são leiloadas para prostituição nos aeroportos britânicos. Para os que se sentem orgulhosos de terem promovido a democracia, de vivermos numa sociedade cujo sistema político aboliou a escravidão, chega ai mais uma evidência, de que essa liberdade é para apenas uma parcela da população.
E dessa vez, não se trata de trabalho escravo nos rincões de países ditos de terceiro mundo. Não. São em cafés e salas de aeroportos internacionais, como o de Gatwick, no sul de londres.
E ainda há os que acham que lutar por um mundo melhor, por uma nova sociedade, é coisa de jurássico. PQP viu.
5.6.06
Janela sobre um absurdo
3.6.06
Janela sobre um desafio
Já haviam me dito o quão fácil é fazer um blog, e o quão difícil é mantê-lo vivo, atualizado, interessante. Estou diante de um desafio aqui.
Primeiro, porque minha profissão é escrever. Escrever o dia todo, para vários lugares, sobre vários assuntos. Escrever profissionalmente exige responsabilidade, é uma obrigação. Não que isso seja ruim, um fardo pesado. Ao contrário.
Porém, me toma o tempo, que fica escasso. Passo horas, talvez 10, chegam a 12 horas em frente ao monitor. Isso cansa. Aliás, tem gente pelo mundo que anda morrendo em maratonas de jogos e afins em frente ao computado. (Credo!, Tô fora!)
Então esse é o primeiro desafio, conciliar o trabalho de jornalista com a atividade de blogueira (nesse caso, não valem comparações com Toreros, Kfouris, e afins, que esses ganham e pagam para manter seus blogs em tempo real).
O segundo desafio é a escolha dos temas, assuntos que possam tornar a leitura destas Janelas algo atrativo, que possa trazer coisas novas, reflexões, um outro ponto de vista. Sei que isso pode parecer pretencioso, mas quem não é, onde chega mesmo nesta vida?
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EM TEMPOS DE COPA
O espírito da Copa já pegou você? Bom se todo esse apelo consumista e midíatico em torno de uma competição de futebol ainda não te atingiu, você realmente é impenetrável.
Existem os que gostam e os que não gostam de futebol, independente de que time jogue, seja ele um clube ou a seleção. Mas, existir uma coisa que seja totalmente unanimidade nos gostos pessoais é um pouco estranho para uma nação com 186.393.190 pessoas, segundo estimativa do IBGE às 23:41 hs de 03/06. Pelo visto, conseguiram transformar a Copa do Mundo neste único item inquestionável do gosto popular.
Eu, que gosto de futebol, fico meio assustada com todo esse ferver. Até aboujor, minha gente, com as bandeirinhas do Brasil, é um pouco demais. A seleção vende tudo (sorvete, camisinha, churrasqueira, sofá, chocolate, roupinha para cachorros, tudo!) É inacreditável.
Eu não me rendi ao consumo verde-amarelo (ainda não). Mas, a 10 dias da estréia da seleção canarinho, eu estou aqui, na torcida, e um pouco pessimista. Será que toda essa badalação vai nos levar pela 4ª vez consecutiva para uma final da Copa?
Primeiro, porque minha profissão é escrever. Escrever o dia todo, para vários lugares, sobre vários assuntos. Escrever profissionalmente exige responsabilidade, é uma obrigação. Não que isso seja ruim, um fardo pesado. Ao contrário.
Porém, me toma o tempo, que fica escasso. Passo horas, talvez 10, chegam a 12 horas em frente ao monitor. Isso cansa. Aliás, tem gente pelo mundo que anda morrendo em maratonas de jogos e afins em frente ao computado. (Credo!, Tô fora!)
Então esse é o primeiro desafio, conciliar o trabalho de jornalista com a atividade de blogueira (nesse caso, não valem comparações com Toreros, Kfouris, e afins, que esses ganham e pagam para manter seus blogs em tempo real).
O segundo desafio é a escolha dos temas, assuntos que possam tornar a leitura destas Janelas algo atrativo, que possa trazer coisas novas, reflexões, um outro ponto de vista. Sei que isso pode parecer pretencioso, mas quem não é, onde chega mesmo nesta vida?
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EM TEMPOS DE COPA
O espírito da Copa já pegou você? Bom se todo esse apelo consumista e midíatico em torno de uma competição de futebol ainda não te atingiu, você realmente é impenetrável.
Existem os que gostam e os que não gostam de futebol, independente de que time jogue, seja ele um clube ou a seleção. Mas, existir uma coisa que seja totalmente unanimidade nos gostos pessoais é um pouco estranho para uma nação com 186.393.190 pessoas, segundo estimativa do IBGE às 23:41 hs de 03/06. Pelo visto, conseguiram transformar a Copa do Mundo neste único item inquestionável do gosto popular.
Eu, que gosto de futebol, fico meio assustada com todo esse ferver. Até aboujor, minha gente, com as bandeirinhas do Brasil, é um pouco demais. A seleção vende tudo (sorvete, camisinha, churrasqueira, sofá, chocolate, roupinha para cachorros, tudo!) É inacreditável.
Eu não me rendi ao consumo verde-amarelo (ainda não). Mas, a 10 dias da estréia da seleção canarinho, eu estou aqui, na torcida, e um pouco pessimista. Será que toda essa badalação vai nos levar pela 4ª vez consecutiva para uma final da Copa?
4.4.06
Janela sobre a Indignação 2
Todos os dias atravesso os 20 km da rodovia Raposo Tavares que separam a minha casa da cidade de São Paulo. Procuro, sempre que dá, fugir dos horários de pico. Nas terças-feiras isso não é possível e, então, enfrento o congestionamento daqueles que optaram por morar no 'campo' e trabalhar na 'cidade'. Sem reclamar, porque eu me incluo entre os que fizeram essa opção e, por mais que muitos amigos me chamem de louca, acho que vale muitíssimo a pena e, inclusive, indico.
Na verdade, o trânsito até que não me encomoda tanto - logo de manhã, procuro encarar esse tempo 'ocioso' de uma maneira 'produtiva'. As vezes curtindo um CD, na maioria escutando o noticiário que, como costuma dizer meu ex - um dos sinais de que você está ficando velho é deixar de ouvir música para ouvir a CBN.
Hoje não foi diferente. Mas, já perto de São Paulo e tendo ouvido todas as notícias - que começavam a se repetir, mudei para a música. Quando, uma confusão alguns metros adiante anunciava mais um acidente na Rodovia. E, como na maioria deles, envolvendo um motoqueiro.
Lá estava o corpo estendido no chão, literalmente, a mulher que dirigia o carro ao lado, desesperada, vários motoqueiros em volta, do atropelamento que deveria ter acontecido bem naquele instante.
Confesso que fiquei abalada com aquilo. Principalmente com o prosseguimento do fluxo, as pessoas nos carros ao lado continuando suas rotinas, ouvindo músicas em altos volumes, outros motoqueiros arriscando suas vidas no zigue-zague entre os carros.
Desliguei o som. Fiquei impressionada como a gente, todos nós, desenvolvemos mecanismos de ver o padecimento alheio, a miséria, e todas as distorções produzidas pela nossa sociedade e ficarmos imunes, indiferentes. Como diria Brecht, estamos perdendo a capacidade de nos indignar.
Na verdade, o trânsito até que não me encomoda tanto - logo de manhã, procuro encarar esse tempo 'ocioso' de uma maneira 'produtiva'. As vezes curtindo um CD, na maioria escutando o noticiário que, como costuma dizer meu ex - um dos sinais de que você está ficando velho é deixar de ouvir música para ouvir a CBN.
Hoje não foi diferente. Mas, já perto de São Paulo e tendo ouvido todas as notícias - que começavam a se repetir, mudei para a música. Quando, uma confusão alguns metros adiante anunciava mais um acidente na Rodovia. E, como na maioria deles, envolvendo um motoqueiro.
Lá estava o corpo estendido no chão, literalmente, a mulher que dirigia o carro ao lado, desesperada, vários motoqueiros em volta, do atropelamento que deveria ter acontecido bem naquele instante.
Confesso que fiquei abalada com aquilo. Principalmente com o prosseguimento do fluxo, as pessoas nos carros ao lado continuando suas rotinas, ouvindo músicas em altos volumes, outros motoqueiros arriscando suas vidas no zigue-zague entre os carros.
Desliguei o som. Fiquei impressionada como a gente, todos nós, desenvolvemos mecanismos de ver o padecimento alheio, a miséria, e todas as distorções produzidas pela nossa sociedade e ficarmos imunes, indiferentes. Como diria Brecht, estamos perdendo a capacidade de nos indignar.
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