26.7.06

Frase do Dia

"Tiraram o Soneca pra colocar o Dunga e deixar todo mundo Zangado."
Daniele Moraes, jornalista

Precisa dizer mais alguma coisa?

25.7.06

Dunga!!!!?????

Num primeiro momento pensei estar entendo mal. Esfreguei os olhos, foquei a vista e li, palavra por palavra, como uma criança que está aprendendo a ler. É isso mesmo: o novo técnico da Seleção Brasileira de Futebol é o ex-jogador Dunga.
Confesso que não li sequer a matéria que divulgava a novidade. Também não tive tempo, pela correria do ofício que está grande, de ler comentários seja nos jornais ou nos blogs dedicados ao esporte.
Mas arrisco não uma análise pronta e acabada, mas alguns questionamentos, que penso não serem só meus, acerca da indicação.
Não vou me deter a fazer comentários mais profundos sobre a qualidade de Dunga como jogador de futebol, que são muitas. É bem verdade que ele foi muito criticado durante a Copa de 1994, quando consquistamos o tetracampeonato, mas sem dúvida que ele teve papel central na campanha vitoriosa brasileira.
Mas, me digam, depois de ter pendurado as chuteiras, Dunga se aventurou a treinar algum time de futebol? Se a resposta for positiva, ela será para um time pequeno, porque pelos grandes e médios sei que ele não passou.
Será que basta ter sido um bom jogador de futebol, consagrado até, para ser um técnico com liderança e que reúna todas as condições para dirigir um time de futebol, na verdade nem um time, mas direto e sem escalas a Seleção Brasileira?
Eu tenho as minhas dúvidas.

22.7.06

Para Guarnieri

Caiu a cortina. Hoje não haverá espetáculo. Primeiro a ausência de Raul Cortez, agora a ausência de Gianfrancesco Guarnieri. Dois gigantes, duas referências da cultura nacional.

As peças escritas por Guarnieri são marcos do nosso teatro. Sempre focado em temas nacionais e nos problemas sociais, Guarnieri se consagrou com Eles Não Usam Black-Tie, de 1958. Autor, diretor, ator, sua vida foi inteiramente dedicada à valorização da cultura nacional, popular, identificada com a realidade sócio-política do país.

Mas quem lembra do Guarnieri nem sempre o associa à música. Sim, ele também compunha, e muitas canções famosas têm seu carimbo, como Upa, Neguinho - que compôs com Edu Lobo para a peça Arena Canta Zumbi, de 1965 e que ficou imortalizada com a interpretação de Elis Regina.

Minha homenagem para Guarnieri vem por intermédio das palavras certeiras de Eduardo Galeano:

Aqueles aplausos

Desde que García Lorca havia caído, crivado de balas, no alvorecer da guerra espanhola, A sapareira prodigiosa não aparecia nos palcos de seu país. Muitos anos tinham se passado quando os teatreiros do Uruguai levaram essa obra a Madri.
Atuaram com alma e vida.
No final, não receberam aplausos. O público se pôs a pisar forte no chão, com fúria total, e os atores não entendiam nada.
China Zorrilla contou:
- Ficamos pasmos. Um desastre. Era de chorar.
Mas, depois, explodiu a ovação. Longa, agradecida. E os atores continuavam sem entender.
Talvez aquele primeiro aplauso com os pés, aquele trovão sobre a terra, tenha sido para o autor. Para o autor, fuzilado por ser comunista, por ser maricas, por ser esquisito. Talvez tenha sido uma forma de dizer a ele: Veja, Federico, como você está vivo.