Um rápido giro pelos principais portais de notícias, blogs e outros meios dá mostras de que está aberta a temporada de balanço da mídia brasileira. O que isso terá de conseqüências ainda é cedo para dizer.
Conflitos entre partes e inteiros sobram nesse debate que, para ter algum efeito positivo e concreto irá carecer de direcionamento. Cabe a pergunta: de quem? A resposta pode desagradar a maioria da coorporação jornalística mas acredito ser um tanto óbvia - do Estado.
Sim, porque os meios de comunicação são concessões públicas, e deveriam estar prestando um serviço público, de interesse da sociedade.
Bem, ai começam as várias interpretações que levam a debates fossilizados e chavões: isso é interveção, censura, tráfico de influência, e por ai vai.
O fato é que se não houver um rumo, toda essa discussão acabará se transformando em terapia barata e, quem sabe, renderá manuais de auto-ajuda, mas não interferirá decisivamente para a democratização e pluralidade dos nossos meios de comunicação.
31.10.06
Manual de Auto-Ajuda
30.10.06
Não haverá trégua da mídia!
Domingo, 29 de outubro. 18 horas. Acomodada em um bar da Prainha, quarteirão de botecos na esquina da Av. Paulista com a Joaquim Eugênio de Lima, acompanhava pela tevê a apuração das eleições 2006, plugada na GloboNews. A emissora dava, regularmente, a evolução da contagem dos votos para os governos estaduais que tiveram disputa em 2º turno.
Até então, a emoção estava por conta da diferença voto a voto no Paraná. O resultado presidencial ainda não podia ser noticiado, já que a votação no Acre só se concluiria às 19 horas de Brasília, devido ao fuso horário.
Entre uma cerveja e outra, o pessoal ia chegando, comentando, fazendo especulações. De repente, uma gritaria geral. Olho na telinha e vejo: 85% das urnas apuradas – Lula 60,7% dos votos válidos e Alckmin pouco menos de 39%.
Os resultados confirmavam o que as pesquisas já indicavam: Lula não só ganharia, como Alckmin teria uma votação menor do que a obtida no 1º turno.
Mas qual não foi a minha surpresa quando, logo em seguida, com Lula já matematicamente eleito, o GloboNews entra com reportagem sobre o presidente – algo como saiba mais sobre o presidente reeleito. A reportagem nada falava diretamente de Lula, de sua trajetória política rumo ao primeiro e, posteriormente, ao segundo mandato. Não. Nem tampouco sobre as realizações de seu governo.
O que a reportagem trazia eram spots mostrando a cronologia da crise política, iniciada com as denúncias contra Zé Dirce, Waldomiro Diniz; Pallocci e o caseiro Francelino, a compra do dossiê e lógico a imagem da montanha de dinheiro.
Ou seja, mesmo derrotada, a imprensa e seu bombardeio contra o presidente, deu mostras que não haverá trégua. Mesmo tendo seu discurso golpista ignorado por mais de 58 milhões de brasileiros, insistem na mesma tecla, como num samba de uma nota só, órfãos de argumentos e conteúdo; perdidos diante da avassaladora vitória do atual governo.
O papel que a mídia jogou nestas eleições foi preocupante, deixando de lado a notícia e abraçando a opinião ideológica, fazendo não jornalismo, mas propaganda camuflada.
Um segundo mandato do presidente Lula precisa enfrentar a questão da democratização dos meios de comunicação de forma decidida, com ousadia. A sociedade não pode mais ficar refém de meia dúzia de empresas familiares que dirigem a mídia nacional, transmitindo o que lhes interessa, e que, na maioria das vezes, não interessa a maioria do povo e ao país.
Fiquemos atentos e vamos começar a cobrar, desde já, que se inicie esse debate para promover a pluralidade de idéias e opiniões.
Até então, a emoção estava por conta da diferença voto a voto no Paraná. O resultado presidencial ainda não podia ser noticiado, já que a votação no Acre só se concluiria às 19 horas de Brasília, devido ao fuso horário.
Entre uma cerveja e outra, o pessoal ia chegando, comentando, fazendo especulações. De repente, uma gritaria geral. Olho na telinha e vejo: 85% das urnas apuradas – Lula 60,7% dos votos válidos e Alckmin pouco menos de 39%.
Os resultados confirmavam o que as pesquisas já indicavam: Lula não só ganharia, como Alckmin teria uma votação menor do que a obtida no 1º turno.
Mas qual não foi a minha surpresa quando, logo em seguida, com Lula já matematicamente eleito, o GloboNews entra com reportagem sobre o presidente – algo como saiba mais sobre o presidente reeleito. A reportagem nada falava diretamente de Lula, de sua trajetória política rumo ao primeiro e, posteriormente, ao segundo mandato. Não. Nem tampouco sobre as realizações de seu governo.
O que a reportagem trazia eram spots mostrando a cronologia da crise política, iniciada com as denúncias contra Zé Dirce, Waldomiro Diniz; Pallocci e o caseiro Francelino, a compra do dossiê e lógico a imagem da montanha de dinheiro.
Ou seja, mesmo derrotada, a imprensa e seu bombardeio contra o presidente, deu mostras que não haverá trégua. Mesmo tendo seu discurso golpista ignorado por mais de 58 milhões de brasileiros, insistem na mesma tecla, como num samba de uma nota só, órfãos de argumentos e conteúdo; perdidos diante da avassaladora vitória do atual governo.
O papel que a mídia jogou nestas eleições foi preocupante, deixando de lado a notícia e abraçando a opinião ideológica, fazendo não jornalismo, mas propaganda camuflada.
Um segundo mandato do presidente Lula precisa enfrentar a questão da democratização dos meios de comunicação de forma decidida, com ousadia. A sociedade não pode mais ficar refém de meia dúzia de empresas familiares que dirigem a mídia nacional, transmitindo o que lhes interessa, e que, na maioria das vezes, não interessa a maioria do povo e ao país.
Fiquemos atentos e vamos começar a cobrar, desde já, que se inicie esse debate para promover a pluralidade de idéias e opiniões.
11.9.06
Assumindo posições
Não é tarefa fácil, nos dias atuais, elogiar a imprensa. Arrebatada pela idéia de ser um poder paralelo e acima do bem e do mal, apresenta cotidianamente para milhões de pessoas - seja pela TV, internet, jornais, revistas - opiniões como fatos, pontos de vista como verdades inquestionáveis.
Sob o manto da imparcialidade, da divulgação de notícias, alicia um exército de seguidores para suas 'opiniões' fatos.
Há quatro anos, elogiei a coragem e a coerência de Carta Capital por ter assumido publicamente seu posicionamento diante daquela disputa presidencial.
Na ocasião, poucos foram os que saudaram a iniciativa da transparência, do respeito ao leitor, que mesmo sendo contrário ao posicionamento do veículo, estava ciente dele. Pior os casos nos quais essa postura é implícita.
Mais uma vez, Carta Capital vem a público explicitar sua opinião diante das eleições. E, novamente, o faz declarando apoio a Lula, rompendo com a hipocrisia da imparcialidade e com o censo comum da grande mídia, que promoveu um linchamento público contra o governo Lula e que, se "dependesse dos donos da mídia nativa, não sobraria pedra sobre pedra do governo que se encerra", nas palavras do próprio Mino Carta.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Interessante e instigante o blog de Mino Carta. Com seu estilo, um pouco romanesco é verdade, ele destila sem vacilar suas opiniões sobre os mais variados assuntos.
Sob o manto da imparcialidade, da divulgação de notícias, alicia um exército de seguidores para suas 'opiniões' fatos.
Há quatro anos, elogiei a coragem e a coerência de Carta Capital por ter assumido publicamente seu posicionamento diante daquela disputa presidencial.
Na ocasião, poucos foram os que saudaram a iniciativa da transparência, do respeito ao leitor, que mesmo sendo contrário ao posicionamento do veículo, estava ciente dele. Pior os casos nos quais essa postura é implícita.
Mais uma vez, Carta Capital vem a público explicitar sua opinião diante das eleições. E, novamente, o faz declarando apoio a Lula, rompendo com a hipocrisia da imparcialidade e com o censo comum da grande mídia, que promoveu um linchamento público contra o governo Lula e que, se "dependesse dos donos da mídia nativa, não sobraria pedra sobre pedra do governo que se encerra", nas palavras do próprio Mino Carta.
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Interessante e instigante o blog de Mino Carta. Com seu estilo, um pouco romanesco é verdade, ele destila sem vacilar suas opiniões sobre os mais variados assuntos.
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