28.10.09
Momento Musical - Incongnito
27.10.09
A sociedade no controle
Nos jornais desta terça (27), uma propaganda institucional da Rede Globo de televisão me deixou com a pulga atrás da orelha. “O telespectador está no controle. E ele quer qualidade”, diz o anúncio. O controle remoto é usado como ícone deste “poder” que o telespectador possui de trocar o canal caso a programação não lhe agrade. E, é claro, o nível de satisfação com a programação é medida pelo Ibope.

O que leva à Rede Globo fazer uma publicidade que aborde o tema “controle”? Porque será que a emissora “toda poderosa” do país levanta este assunto e, em particular, no momento em que estão em curso os debates da 1ª Conferência Nacional de Comunicação?
O império ataca
Uma emissora como a Globo não dá ponto sem nó. Nenhuma campanha institucional sai dos muros do Jardim Botânico para o Brasil sem antes passar por uma extensa rede de discussão, testes e pesquisas. Assim sendo, me parece que esta campanha pode ser uma ofensiva contra um dos temas mais quentes em discussão no processo da 1ª Conferência Nacional de Comunicação: o controle social.
Talvez estejam preparando a artilharia para se armar contra o crescente reclamo da sociedade para que sejam criados mecanismos institucionais de controle social sobre a radiodifusão.
E, como a melhor defesa é o ataque, estão construindo argumentos para dizer que a sociedade já possui o melhor e mais poderoso instrumento de controle em suas salas: o controle remoto.
Não gostou? Troca
Por esta abordagem a emissora se exime de responsabilidade, já que o papel de selecionar, assistir e até mesmo de chancelar a programação cabe ao telespectador. Ou seja, não quer, não assiste. Não é bom, não assiste. É violento, não assiste. É discriminador, não assiste. É preconceituoso, não assiste. É impróprio para menores, não assiste.
Apelam ao senso comum a partir do “mude se você não está contente” e usam o artifício da liberdade para atacar as propostas de controle social, taxando-as de censura.
Liberdade para a minha empresa
“Onde já se viu querer impor qualquer tipo de fiscalização ao conteúdo do que é veiculado nos veículos? Isso é cercear a liberdade de expressão”, dizem os donos das emissoras.
Contudo, sob o guarda-chuva da liberdade de expressão, o que vemos é o exercício mais deslavado da liberdade de empresa e da falta de compromisso com a pluralidade de pontos de vista, com a diversidade social, cultural e política, com a produção independente e regional e qualquer outra forma de expressão que seja construída fora do modelo ultracentralizado de negócios que caracteriza a radiodifusão no país.
A campanha da Globo, ao meu ver, mostra que os debates da 1ª Conferência Nacional de Comunicação estão atingindo um primeiro e importante objetivo: despertar a discussão em camadas mais amplas da sociedade para os temas relativos à comunicação no país. Mais gente está se apropriando desse tema e, consequentemente, mais gente está construindo um olhar crítico sobre esse assunto.
Em tempo: No caderno de TV do Estadão deste domingo (25), uma pequena amostra dessa nova postura da audiência pôde ser vista na seção Palavra do Leitor. Foram publicadas quatro cartas de leitores do jornal falando da Rede Globo, três com viés crítico à emissora.
23.10.09
Uma homenagem
O belo da ciência e de sua história é que não há um ponto final e tampouco somente um ponto de partida possível para desaguar no vasto conhecimento já acumulado pela humanidade.
Muitos podem imaginar que certos temas já não merecem estudo, uma vez que consagrados e já solidificados. Mas a curiosidade científica e o olhar interessado podem sempre encontrar novas abordagens e, com isso, derrubar conceitos e pré-conceitos estratificados.
Foi um pouco isso que vi, hoje, durante a defesa da tese de doutorado de meu querido amigo Cesar Lopes “Modelos atômicos no início do século XX: da Física Clássica à introdução da teoria Quântica”.
Cesar é químico. Eu o conheci há 15 anos, durante o Encontro Nacional dos Estudantes de Química, em Goiânia. Ele da UFRGS eu da USP. Ele já era liderança e figurinha carimbada nos debates sobre o ensino de Química. Era meu primeiro encontro, mas já chegava como presidente do CA e cheia de opinião pra dar.
Nossa amizade cresceu naquele mesmo ano de 1995, quando nos encontramos no ônibus que seguia do Tietê para Caxambu, onde íamos participar da reunião da Sociedade Brasileira de Química. Lá, à beira da piscina do hotel, no teleférico, nos bares, nas palestras, conversamos tanto sobre o futuro, imaginando planos ideais e traçando metas profissionais e acadêmicas.
Naquela ocasião, essas conversas tinham um quê de desvario, de improbabilidade. Afinal, ambos éramos graduandos, jovens ainda, sonhadores. Ele se formou primeiro. Lembro-me vivamente daqueles dias em que fui a Porto Alegre para a sua formatura. Um ciclo se encerrava. Discutimos sobre o seu discurso (ele foi um dos formandos a usar a tribuna do auditório da URFGS na cerimônia), em que ele fazia a homenagem para sua vózinha querida e mantinha o olhar pregado no futuro, pela citação de Galeano – a utopia é isso, é seguir caminhando.
E seguimos. Tomei outros rumos e me distanciei da Química. Ele traçou novos objetivos. Tornou-se professor da universidade e perseguiu a carreira acadêmica. Até chegar o dia de hoje, quando recebeu da banca a nota Dez pela sua pesquisa, por sua dedicação, por sua teimosia.
Nos seus agradecimentos, ainda que para pequena plateia, não abriu mão de registrar a importância da existência de agências de fomento à pesquisa no Brasil, sem as quais seria impossível termos produção científica e pesquisadores em nosso país.
A persistência de Cesar é a mesma de tantos outros brasileiros que, não sendo da elite, lutam para conseguir um espaço no ambiente universitário.
22.10.09
O texto oculto da imagem
Por dever de ofício e para estar atenta aos descalabros que o folhetim do PSDB em São Paulo produz diariamente, continuo assinante da Folha de São Paulo. De tempos em tempos, indignada com as posturas editoriais gritantes do jornal, cancelo minha assinatura. Mas, passado certo tempo, acabo voltando à carteira de assinantes.
Foto Macabra
Como faço toda manhã, ao sentar-me à mesa para o café, abro os jornais a começar pelo Estadão (do qual também sou assinante). Ontem, (quarta-feira, 21) fiquei estarrecida ao me deparar com a foto principal na capa da Folha.

Usar ou não fotos desse tipo, que chocam pela violação da dignidade humana, sempre levantam polêmica fora e dentro das redações. Sensacionalismo ou denúncia da realidade?
Qual a intenção do jornal?
Não sei se a questão se resolve apenas nestes dois polos. A escolha de imagens como esta para estampar a capa de uma edição passa por uma avaliação minuciosa de todos os aspectos positivos e negativos.
Neste caso, a foto não está associada a nenhuma manchete de capa e remete à reportagem do caderno Cotidiano que atualiza a situação do conflito no Rio. Porque então ela ganhou tamanho destaque?
Alguns podem dizer que a foto dispensa manchete porque ela já é a informação. Ok. Mas será que as pessoa já não estão suficientemente bem informadas dos problemas de segurança e da onda de violência no Rio de Janeiro? Publicar essa foto altera de alguma maneira a situação ou a postura das pessoas e/ou instituições diante do problema? Que contribuição ela traz?
Mensagem oculta
Então, para que publicá-la? Porque o objetivo da foto não é desnudar a violência. Há uma leitura subliminar e indireta dessa imagem que deve ter orientado a sua publicação: a violência no Rio de Janeiro fugiu ao controle e isto é responsabilidade dos governantes. O texto oculto da imagem pode ser verdade, mas seu objetivo não é humanitário, é político: atingir o governo Lula.
Se a publicação da foto for vista de forma isolada, a afirmação pode parecer absurda. Mas se vista dentro do contexto editorial e da postura que o jornal tem tido diante do governo Lula (eles se orgulham de serem chamados da mosca que perturba o sono), dos compromissos com o tucanato, e, acima de tudo, com a campanha anti-Dilma, vemos que as coisas se encaixam.
E, se o objetivo editorial do jornal é portar-se como o partido de oposição ao governo, como fica claro a cada manchete e foto publicada na Folha, então é válido usar de sensacionalismo, de artifícios chocantes e degradantes – como a foto desta edição. Estou pensando seriamente em cancelar, de novo, minha assinatura.
19.10.09
13 cassados na Câmara Municipal
A Justiça Eleitoral está cassando geral. Nesta segunda (19) o juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloisio Sérgio Rezende Silveira, cassou e declarou inelegíveis por três anos um suplente e 13 vereadores de São Paulo, por captação ilícita de recursos. Todos os cassados fazem parte da base do prefeito Gilberto Kassab.
Foram cassados os vereadores Adilson Amadeu (PTB), Adolfo Quintas Neto (PSDB), Carlos Alberto Apolinário (DEM), Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB), Cláudio Roberto Barbosa de Souza (PSDB), Dalton Silvano do Amaral (PSDB), Domingos Odone Dissei (DEM), Gilson Almeida Barreto (PSDB), Marta Freire da Costa (DEM), Paulo Sérgio Abou Anni (PV), Ricardo Teixeira (PSDB), Ushitaro Kamia (DEM) e Wadih Mutran (PP).
Rigor nas contas e transparência
Os mecanismos de prestação de contas das campanhas eleitorais têm, a cada eleição, incorporado mais instrumentos para garantir a transparência nas doações e coibir irregularidades.
Tanto é, que a primeira providência para qualquer candidato é ter um eficiente tesoureiro que esteja atento às regras. A tarefa é complexa e exige profissionalização por parte das candidaturas.
De outro lado, as pessoas físicas e jurídicas também precisam ter mais atenção ao efetuar doações, uma vez que a identificação de doadores irregulares também configura prática ilegal.
Sem endereço, sem funcionário, mas milionária
É o que motivou a investigação por parte do Ministério Público Estadual no caso dos vereadores paulistanos, apontando que a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) doou irregularmente R$ 10,8 milhões nas últimas eleições.
A entidade não tem funcionários registrados e a sede, na Av. Brigadeiro Luís Antonio, é um escritório fechado, sem expediente de trabalho. Dois anos antes, em 2006, a AIB já havia caído na malha fina da Receita Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por doações irregulares.
Em 2008, somando as doações aos candidatos derrotados e àqueles que concorreram em outras cidades – 44 políticos no total -, A AIB doou um montante que chega a R$ 4,43 milhões. Como a Lei Eleitoral (9.504/97) limita a doação das entidades a 2% de sua receita no ano anterior, a AIB teria de ter arrecadado no mínimo R$ 325 milhões em 2007, se for levado em consideração os valores doados em 2008. Segundo o MPE, a entidade não mostrou ter essa capacidade financeira.
Haja dinheiro ein!
Em tempo: Fiquei muito triste com a notícia do incêncio que destruiu parte considerával das obras de Hélio Oiticica. Uma tragédia que golpeia parte da importante da arte nacional.
Uma geração curtida à fumaça
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A mídia acima do bem e do mal
A julgar pelo editorial da Folha desta quarta-feira (14), “Discurso da Inocência”, todos os que criticam a mídia o fazem por interesses escusos e em defesa própria, sem motivos justificados e extrapolando os interesses da sociedade.
Isso porque, na visão da mídia expressa por um de seus expoentes – a Folha de S.Paulo – os veículos de comunicação não erram, não assumem posições diante de questões importantes, são neutras e imparciais.
Tal postura deixa questionamentos sobre a quem se deve o “Discurso da Inocência”: aos inúmeros atores sociais que independente do posicionamento político criticam a mídia ou se esse discurso inocente e inverossímil de quem está acima do bem e do mal é o estampado nas linhas do editorial. Eu fico com a segunda opção.
Tem sido recorrente a tentativa de desqualificar as críticas feitas aos meios de comunicação hegemônicos. Vez ou outra os jornais, revistas e emissoras têm ocupado um espaço em seus veículos para justificar suas posições e atacar qualquer tipo de opinião diferente.
Esse é um expediente que mostra como o debate sobre a urgente e necessária democratização da mídia, com instrumentos mais precisos e qualificados de controle social e responsabilização editorial, tem incomodado os barões da mídia nacional.
Mas se a Folha se considera “a mosca que perturba o seu sono” – e o seu trata-se claramente do governo federal – nós somos milhares de moscas que vamos perturbar o sono da mídia, impedindo que eles continuem falando o que quiserem sem nenhuma consequência.
Em tempo: Foi lindo assistir às edições de sexta, sábado e segunda-feira do Jornal Nacional, quando o âncora do telejornal leu nota informando que a Globo fora condenada por uso indevido de imagem sem autorização. O fato aconteceu em 1995. Quinze anos mais tarde, vemos o jornal sendo obrigado a pronunciar a sentença.
9.10.09
10% assistem à TV Brasil
Segundo dados da pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (09) pela EBC, a TV Brasil já é conhecida por um terço da população brasileira, ou 34%, dos quais 15% já assistiram ao canal e 10% o assistem regulamente. A programação é considerada ótima por 22% dos telespectadores e boa por 58%, totalizando 80% de aprovação. Entre os que costumam assistir a TV Brasil em casa, 42% sintonizam o canal por antena parabólica.
Aprovação da Programação
Entre os telespectadores que costumam ver a TV Brasil, a programação foi considerada ótima por 22%, boa por 58%, regular por 20% e ruim ou péssima por 1% . A aprovação de 80% (soma de ótimo e bom) corresponde à nota 4, numa escala variável de 1 a 5. E estes índices foram alcançados antes mesmo do lançamento da nova programação da TV Brasil, na segunda quinzena de setembro.
Interior Parabólico
Entre os 10% de telespectadores que disseram assistir à TV Brasil atualmente, 85% sintonizam o canal em casa. Destes, 42% recebem o sinal através de antena parabólica, 36% através da TV aberta (antena VHF ou UHF) e 22% através de TV por assinatura. Ou seja, a maior audiência da TV Brasil está nas cidades do interior.
Os principais motivos apontados para não assistir à TV Brasil estão as dificuldades de sintonização (42%), desconhecimento (27%), desinteresse (23%) e falta de tempo (19%).
Um canal aberto para a TV Brasil
Estes dados mostram que a empreitada de se criar uma emissora pública no Brasil é viável. Esperar que um empreendimento desta magnitude tivesse resultado imediato, num país onde o poder da radiodifusão privada é tão forte, seria ingenuidade.
Com menos de dois anos, muitos problemas estruturais, poucos recursos e um enorme desafio pela frente, os números da pesquisa Datafolha são um estímulo para seguir em frente e enfrentar novos obstáculos.
Um deles é conquistar um canal aberto para a TV Brasil em São Paulo e em outras praças. A TV pública não pode ficar confinada no canal 69 do UHF. Para isso, a frente de batalha é a discussão das renovações das concessões de canais de televisão que estão operando de forma totalmente irregular.
R$ 105 milhões para promover o Kassab
O número isoladamente pode não dizer muito, mas quando comparamos com outros gastos vê-se a falta de compromisso do prefeito com a cidade. Basta dizer que o orçamento para a construção, ampliação e reforma dos CEUs e escolas é de R$ 90,1 milhões.
Publicidade x interesse público
A escalada dos gastos com publicidade é descarada em São Paulo. No primeiro ano da administração (2008) foram de R$ 31 milhões. Subiram para R$ 80 milhões e 2009 e a previsão é de R$ 105 para 2010.
O argumento do prefeito é que os gastos com publicidade atendem a um interesse público. Segundo nota oficial de sua assessoria, a prefeitura “investe a verba de publicidade na divulgação de programas de interesse da população, com campanhas informativas, de prestação de serviços e contas”.
Onde foi parar, então, a fatia deste recurso para divulgar a eleição, por exemplo, do Conselho Municipal de Habitação? Quer campanha de maior interesse para a população do que esta? Nem uma linha nos jornais, revistas, ou em sites da internet. Ou a divulgação para as etapas municipais de importantes conferências institucionais que reúnem a sociedade para debater políticas públicas como a Conferência Nacional de Educação, de Igualdade Racial, de Juventude, das Mulheres, de Segurança Pública…… Não ficou sabendo? Pois é, a prefeitura não divulgou.
Então, onde o interesse público está sendo atendido? Talvez fosse melhor corrigir a nota da prefeitura, porque o que ocorre, de fato, é que a verba de publicidade é usada para atender o interesse da administratação de Kassab.
2.10.09
A Olimpíada é nossa!

Uma energia positiva, um sentimento patriótico, de orgulho e paixão pelo Brasil cercaram a vitória do Brasil para sediar as Olimpíadas de 2016.
Ver o presidente Lula chorando, o ministro Orlando Silva chorando, gente do povo, de origem humilde e que não perderam a capacidade de se emocianar com o Brasil certamente despertou em cada brasileiro um sentimento de alegria.