11.2.06

Quanto Vale ou É por Quilo

Essa janela não se dedica a ser um espaço crítico, uma resenha, mas uma troca de idéias.

Em que bases estão assentadas as relações humanas? Pergunta para filósofo responder, sem dúvida, e que não se basta apenas com uma resposta.
No dia-a-dia, vamos tecendo nossa convivência sem nos preocuparmos muito com isso, pelo menos não teoricamente. Vamos construindo nossos códigos de conduta a partir das experiências, da formação cultural, dos padrões definidos socialmente.
Mas, desde que assisti ao filme Quanto Vale ou é por Quilo, tenho refletido mais sobre essa questão.
Nacional da nova safra, o filme busca nas raízes da sociedade escravocrata e suas hierarquias sociais e raciais os elementos que deram origem aos nossos atuais padrões éticos e morais na relação indivíduo-indivíduo, instituição-instituição.
Troca, sem dúvida. Tudo é uma questão de troca. Não que isso seja uma coisa abominável a priori. No entanto, a troca de Quanto Vale ou é por Quilo que define as relações (todas) que surgem no filme, é uma troca impregnada de juízo de valor, é uma troca mercantil. As relações humanas se reduziram a mercadorias, que são trocadas de acordo com os interesses de cada parte envolvida.
O filme, de Sérgio Bianchi, explora através de pesquisa feita no Arquivo Nacional, as relações entre Casa Grande e Senzala, o comércio de escravos e entrelaça essas histórias com a realidade contemporânea, desnudando a falência das estruturas sociais, do Estado, e o surgimento de organizações do terceiro setor – ONG’s – que encaram a miséria como fonte de lucro.
O filme, de 2005, teve pouco sucesso comercial, e foi assistido por pouco mais de 32.800 pessoas e esteve em cartaz por 26 semanas, numa clara demonstração de que, infelizmente, o chamado grande público só se mobiliza por grandes produções nas quais desfilem uma constelação de astros consagrados.
Os que se sentirem atraídos, mas quiserem saber um pouco mais da trama que se baseia em um conto de Machado de Assis, antes de procurar a locadora amiga mais próxima, podem navegar na página do filme
www.quantovaleoueporquilo.com.br.
Com uma apresentação atraente, a página mostra como as mídias e suas linguagens podem se complementar. Ela traz informações sobre a pesquisa realizada, a temática do filme, contém informações sobre os períodos históricos abordados, o papel das Ong´s, além das já tradicionais fichas técnicas, trailler.
Fica então a dica para o sofá deste fim-de-semana. E você acha o que: Quanto Vale, ou é Por Quilo?

Um comentário:

  1. Re! Parabens pela iniciativa. O blog está bacana e vc me deixou ainda mais curiosa para o ver o filme. Bjs e boa sorte!

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