25.11.09

Tempo de intolerância e hipocrisia

Estarrecedor o que aconteceu com a estudante da Uniban que foi perseguida e achincalhada por uma turba de jovens por ter ido à aula com um mini-vestido.

O senso comum diz que a garota estava “procurando”, que foi para a aula com o intuito de provocar, e que a sua roupa era de uma vagabunda, prostituta, que – como bradavam os vestais nos corredores da Uniban – devia ser estuprada. Fico me perguntando de onde vem tanto preconceito.

Ditadura da moda
Os mini-vestidos estão na moda. Vemos todos os dias na televisão, as atrizes desfilando modelos para lá de curtos, mostrando as pernas da metade da coxa para baixo. Os minis estão em todo lugar: nas vitrines dos shoppings, nas lojas de rua, nas lojas de grife. É o revival dos micros dos anos 70. Saia na altura do joelho, neste verão, será démodé.

Segundo alguns sites de moda, os mini mini vestidos são obrigatórios. Eles foram os principais protagonistas da temporada de desfiles das coleções primavera-verão 2009.

Ai, quando uma jovem resolve usar um mini é recepcionada por uma multidão descontrolada? Por quê? Mini é só para atriz? Uma jovem comum, bombardeada cotidianamente pelos apelos da publicidade e dos ideais de beleza se usar um mini é vagabunda?

Hostilidade universitária
Mais perturbador ainda é o fato das cenas de preconceito terem se passado no interior de uma universidade, que deveria ser um espaço democrático que abriga tendências de todos os tipos.

Alguns podem se defender dizendo que o vestido não estava adequado para aquele ambiente. A estes fica o desafio: quem já fez universidade no período da noite e nunca emendou uma “balada” e, portanto, já foi produzida para a aula que atire a primeira pedra. E, mesmo que a roupa não estivesse adequada, não justifica tamanha insanidade, tamanho conservadorismo hipócrita.

Sociedade da intolerância
Receio que este episódio mostre que a sociedade está se tornando, a cada dia, mais intolerante, mais conservadora e reacionária. Estamos vivendo na era do é proibido na vida real, enquanto a permissão e a chancela para estes comportamentos são exibidos diariamente na TV. É a era da exposição máxima e da privacidade mínima. Dos julgamentos prévios e públicos sem direito de defesa, do sensacionalismo.

E o pior de tudo, é tempo de hipocrisia. Como diria Drummond – Este é tempo de homens partidos.

3 comentários:

  1. Anônimo5:21 PM

    Olá, Renata. Meu nome é Geraldo Lima. Gostei muito da sua postura diante do caso da estudante Geisy. Concordo em gênero, número e grau. A atitude dos colegas de faculdade e a própria postura da direção mostraram-se contraproducentes, uma vez que o assunto invadiu a mídia nacional e internacional, expondo os auto-intitulados defensores da boa moral, como tirânicos e intolerantes. Tomo a liberdade para convidá-la a ler uma crônica escrita por mim no Blog "O assunto é...", publicado na página http//geraldolima12.blogspot.com/, onde faço uma leve alusão ao acontecimento através de uma crônica, intitulada "Vestidinho Vermelho - Uma Fábula Moderna". Não defendo a postura de Geisy tampouco a condeno. O objetivo da crônica é apenas tratar com bom-humor o comportamento sócio-psicológico brasileiro, diante de casos como esse. Seu comentário sincero será bem-vindo, seja ele positivo ou negativo. Um grande abraço. Pretendo continuar acompanhando seu blog, que considerei como um oásis em meio ao deserto de futilidades que encontramos no espaço virtual. Obrigado por sua atenção.

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pela leitura e pela indicação, vou olhar sim.

    ResponderExcluir
  3. Olá, Renata. Estou tendo dificuldade para visualizar a publicação dos comentários. De qualquer modo, caso você tenha acesso a este texto, gostaria apenas de corrigir o meu endereço de blog: http://geraldolima12.blogspot.com/
    Acho que esqueci os dois pontos do início do endereço. Obrigado novamente. Abraço.

    ResponderExcluir