9.12.09

Uma cidade submersa

No lugar de cidade, água. Esta foi a imagem que marcou São Paulo nesta terça-feira (08/12). No rádio, os repórteres alertavam: “não adie, mas sim cancele seus compromissos”. “Evite a cidade”. “Não saia de casa”.

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O retrato da cidade submersa não é um infeliz acaso causado pelo recorde dos índices pluviométricos. Isso é o que o prefeito e o governador dizem para tirar a responsabilidade de suas costas, na tentativa de apagar a falta de investimentos nas obras de infraestrutura para evitar alagamentos; o colapso dos serviços de limpeza pública, que deveriam manter as vias, os bueiros e canais de escoamento de águas limpos.

Na Cidade Limpa de Kassab, o que se viu nesta terça-feira foram toneladas de lixo boiando pelas ruas. O caos tomou conta desta cidade desgovernada.

Enquanto isso, em seu gabinete, o prefeito engenheiro fazia cálculos de como aplicar ainda mais dinheiro público, proveniente do aumento nos valores de IPTU, em publicidade. Afinal, o que vale é divulgar o que foi feito, mesmo que não tenha sido. É muita cara de pau!

Foto extraída da galeria do IG.

2 comentários:

  1. Concordo com seu comentário, Renata. Aliás, normalmente tenho concordado com suas colocações que, em geral, me parecem bem sensatas e equilibradas. Entretanto, não vejo apenas como responsabilidade dos governantes, em especial, o prefeito Gilberto Kassab, mencionado no artigo. Acho que a população ainda é também muito mal-educada com respeito a estas questões. E quando digo mal-educada, é mal-educada MESMO, em todos os sentidos. Por exemplo, eu fico louco da vida quando vejo alguém, após comer um salgadinho ou chupar um sorvete, jogar a embalagem pela janela do carro. E o pior é que não são poucos os que fazem isso. Com certeza, atitudes como essa contribuem e muito para as enchentes. O lixo se acumula, os bueiros ficam entupidos e a água não tem para onde correr. Ademais, é bem conhecido que certos tipos de materiais, como o plástico, por exemplo, demoram anos para se decompor. Entretanto, a população muitas vezes adota a postura de "que diferença isso faz?"... Pois, faz muita diferença, sim! Todos sofrem, todos acabam afetados pelos efeitos de uma forma ou de outra. Por esses motivos, acredito sim que o governo tenha fechado os olhos para muitas coisas. Mas, é inegável que cada um de nós, pode de fato dar uma pequena colaboração visando, quem sabe, que estas situações vexatórias, possam ao menos ser amenizadas... Minha filha de 9 anos, por exemplo, não joga nem papel de bala que seja, em quaisquer vias públicas. Isso porque sempre tenho conversado com ela sobre como pequenas atitudes podem afetar o meio-ambiente, quer de forma positiva, quer negativa. Tenho me esforçado também para dar bom exemplo neste aspecto. Tenho certeza que outros também estão fazendo o mesmo. Mas, diante dos fatos, é imperativo que se faça mais. É preciso muito mais...

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  2. Geraldo, é verdade que sempre há os dois lados do problema. Concordo totalmente contigo sobre a falta de consciência das pessoas, que tratam a cidade como se fosse um lixo a céu aberto. Muitas vezes tentamos "aliviar" a responsabilidade individual, mas ela existe também. Quantas vezes não vejo pessoas - em seus carrões - jogando lata de cerveja pela janela! Uso este exemplo, porque há uma tendência a achar que educação tem relação com classe social. Que nada! O problema do lixo acumulado na cidade tem muitas causas. A falta de ação do poder público - desde colocação de lixeiras até o serviço de limpeza e coleta; a falta de educação cidadã, que é fazer com que as pessoas percebam que a cidade é um patrimônio de todos.

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