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4.3.10

Silêncio, o sambista está dormindo

A morte de Walter Alfaiate deixou o samba triste. Neste sábado, a voz elegante “sumiu na brisa”, mas deixou um legado de grandes sambas, inesquecíveis apresentações e a alegria da roda de amigos, como esta.

24.2.10

Se acabou o Cordel

O anúncio do fim do Cordel do Fogo Encantado, nesta quara-feira, caiu como uma tromba d’água. A banda pernambucana, que está na estrada há 14 anos (primeiro como grupo teatral e em seguida como banda musical) construiu um dos trabalhos musicais mais originais surgidos no Brasil neste período.

A música do Cordel nos leva ao sertão, à seca. Nos arranjos musicais a poeira do sertão penetra não só nos ouvidos, mas na pele. Parece que nos transportamos. Um orgulho do Brasil e do povo nos invade ao ouvirmos um repertório que bebe na música regional, mas que agrega o que de mais moderno pode-se pensar.

Lirinha, ao anunciar sua saída do grupo, diz em nota: “É com muita dificuldade que redijo essa informação, devido ao imenso amor que eu sinto pelo público e pelos meus companheiros/guerreiros do projeto. Revelo, por respeito aos que me acompanham, a minha vital necessidade de trilhar novos caminhos. Ajudei a desenvolver um dos espetáculos mais originais da cultura pop do país e é com esse sentimento de orgulho que sigo em frente. Com a certeza de que o fogo da nossa poesia e da nossa música nunca se apagará e que nossa força é infinita!”.

Já diria o poeta “que seja eterno enquanto dure”. E foi. A necessidade de trilhar novos caminhos artísticos impõe inaugurações e encerramentos. E assim é.



1.2.10

Momento Musical - Se eu pudesse mudar o mundo

É uma música romântica, que fala da possibilidade de mudar o mundo para conquistar um amor. Mas, a música pode ganhar outros significados, e neste momento de tristeza pela tragédia no Haiti, eu empresto um novo a ela.

Change de Word, é uma bela canção de Eric Clapton. Uma música contagiante, que me transmite uma esperança, uma alegria, como um dia de sol.

Ter o poder de mudar o mundo é um pensamento, um desejo, que já passou pelo menos uma vez pela cabeça de muito gente. É comum, quando crianças ou adolescentes, ficarmos nos perguntado: o que você faria se pudesse mudar o mundo? Ah! as respostas são muitas, diminuiria a miséria, a fome, a tristeza, a doença e por ai vai.

Se eu pudesse mudar o mundo (If I could change de world)…. mas, espera. Nós podemos sim mudar o mundo. Claro não é num piscar de olhos, num passe de mágica, mas podemos.

Curiosidades musicais: Marina e a campanha pelas Diretas Já!

O engajamento de artistas nas campanhas pelas Diretas Já, em 1984, não é novidade. Muitos abraçaram a militância política em prol do fim da ditadura e do reestabelecimento da democracia no Brasil.

Mas algumas manifestações foram discretas. Na MPB, dezenas de músicas foram compostas por grandes ícones da música criticando a ditadura e cantando o sonho da liberdade. Assim também foi no nascente rock nacional. Como no clipe da música Fullgás, do LP que levou o mesmo nome da cantora Marina Lima. “Você me abre, seus braços e a gente faz, um país”. Talvez ninguém associe a letra desta canção com a luta pelas diretas. Mas no clipe, Marina está usando uma camiseta branca, com a inscrição: “Brasil, Urgente, Diretas pra Presidente”. Confira!

28.10.09

Momento Musical - Incongnito

Uma banda pouco conhecida no Brasil e que faz muito sucesso internacional é a sugestão do meu momento musical. O Incognito é uma banda britânica de soul jazz que tem um som contagiante. O clipe é de Don’t You Worry ‘Bout A Thing, de 1992.

13.5.09

Secos & Molhados - Momento musical 2

O outono paulistano, para mim, tem a cara do clássico Amor, uma das faixas do primeiro LP (long play) do Secos & Molhados, de 1973. Eu era uma criança hipnotizada pela música e este disco era um dos meus preferidos. Eu ficava enlouquecida com aquelas cabeças servidas em cima de uma mesa. Nos clipes musicais que eram transmitidos pela televisão, na TV ainda em preto e branco, eu ficava de olhos fixos naquelas performances do Ney Matogrosso.

Vale reparar no excelente sólo de contra-baixo! Fantástico!!!

Recentemente, num extraordinário trabalho de recuperação do acervo musical do país, o baterista dos Titãs e também produtor musical Charles Gavin reeditou CD´s de vários clássicos nacionais, entre os quais os dois primeiros albúns do Secos & Molhados.

(ADENDO PÓS-POSTAGEM) - Fui conversar com o contra-baixista e baterista Leandro 'Lelê' Maciel, que me contou algumas curiosidades e fez reparos sobre as informações incompletas desse post: o baixista que toca nesta música é o argentino Willy Verdaguer, que continua tocando por ai. Ele também foi baixista do Raíces de América. E o sólo de Amor, na verdade não é um sólo, é um fraseado.

Para quem curte, lá vai uma raridade encontrada do Youtube.

27.4.09

Momento Musical 1 - Superstition

Esse momento musical é dedicado ao mestre Stevie Wonder, um clássico da soul music que eu tenho ouvido muito esses dias.
When you believe in things that you don't understand
Then you suffer
Superstition ain't the way

(quando você acredita em coisas que não entende, então você sofre. A superstição não é caminho)


27.2.06

Janela sobre o Carnaval

Seis horas da tarde. Aos poucos começam a chegar as atrações do dia. Vão ocupando os espaços laterais da quadra, ainda vazia. Todos se cumprimentam, mas o ‘boa-tarde’ tem mais significado de boa-sorte, vamos lá!
Dos cabides e sacolas vão surgindo as cores: amarelo, vermelho, azul, verde, laranja, branco, preto. Os últimos passos da coreografia são ensaiados por um grupo de senhoras de cabelos brancos, que carregam em seus ombros a responsabilidade de brilhar. Mas para quem já percorreu grande parte da vida superando dificuldades e obstáculos, o que está para vir é um desafio diferente, ele tem o sabor da alegria.
Não há como sentir-se estrangeiro naquele grupo. A comunidade te acolhe como se você fosse parte dela. E nela cabem todas as raças, religiões, extratos sociais, sexos, idades. Por algumas horas em um dia do ano todos são iguais, todos estão lutando pelo mesmo objetivo, brilhar na avenida, defender sua escola.
Na concentração você se torna outro. Não é mais um indivíduo, você é um integrante. E tem que ter garra, dançar, cantar, vibrar, sorrir. O corpo estremece, não é o peso do esplendor nos ombros, é o peso de “50 anos de glória, que contam a história de tão lindos carnavais”.
O som da bateria ecoa forte, cadenciado; o compasso do coração acompanha o tempo de marcação do surdo, os pés se agitam ao som dos tamborins e das cuícas. E lá está você, não você, lá está a Peruche, passando no sambódromo, arquibancadas lotadas, o povo em pé aplaudindo a escola, que evolui. São 20 minutos para você, para escola 65. Tudo foi bem.
Contagiados com a festa espalhada pele avenida, a comunidade Peruche e cada um que esteve ali, no chão, se entreolham, cumprimentam, agradecem; muitos choram, o coração a mil e o sentimento de que juntos, ali, fizemos mais um lindo carnaval.

21.2.06

Eu me rendo ao Vertigo

Foi do sofá que assisti à apresentação do U2 no glorioso Estádio do Morumbi. Aliás, percebo que dos quatro textos publicados neste Espaço, três surgiram no sofá lá de casa. Sinal que estou precisando sair mais.
Fui ao show de 98, também no glorioso campo tricolor. Era tanta gente, tanta, que uma pessoa como eu, 1 metro e meio, naquela pista próxima ao palco, não conseguia enxergar nada, nem telão.
Saí do show – de 98 – com um gostinho de que faltou alguma coisa. No palco daquele ano, uma banda mais introspectiva, sem aquela pegada do U2 que eu esperava ver.
De casa, em 2006, ao fim do show fiquei com um gostinho de quero mais. Quem enfrentou o caos para comprar os ingressos deve ter se sentido mais que recompensado. No palco, uma banda vigorosa, vertiginosa, que interagiu com o público em todos os momentos do show.
No set list, clássicos que não podem faltar. O lado B, para os fãs que vão além dos hits de rádio, podia ter sido um pouco melhor. The Fly eletrizou a todos, inclusive eu que acanhada no sofá achei que seria ridículo nos meus trinta e poucos ficar dançando sozinha na frente da TV.
No fim, que fim, um solo de batera e 70 mil pessoas num coro. Primeiro saiu a voz, Bono. Depois saiu a alma, o baixo Adam Clayton, em seguida, The Edge , para deixar sozinho no palco Larry Mullen. Sentado em sua batera, Larry ouve por instantes o som dos fãs e resolve acompanhar o coro, num solo de bateria. Incrível do sofá, imagine para quem foi mesmo.